ÀS PRÓPRIAS CUSTAS S.A
Baratos Afins
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Seis discos do Itamar Assumpção em CD de uma vez! Se tem um cara independente fazendo música criativa no Brasil em 1994 é o Itamar Assumpção. Tem gente que chama de rock de breque, tem quem chame de MPB de vanguarda, tanto fazé bom pra caralho. Como ele não circula muito (quase nada) nos meios de comunicação oficial, em geral você tem que procurar um pouco, mas dá pra descobrir onde ele está tocandoesse ano, além dos shows acompanhado por sua nova banda só de mulheres, As Orquídeas, que substituíram a lendária Isca de Polícia, ele também se apresentou só fazendo versões malucas de músicas do Ataulfo Alves. Quem viu disse que é foda, espero que um dia ele grave isso.
Outra solução, talvez um pouco mais cômoda, é tentar uma pechincha com o Luis Calanca da Baratos Afins. A gravadora que tem sua sede e loja na Galeria do Rock, no centro de São Paulo, e acabou de lançar a discografia quase completa do Itamar em CD pela primeira vez. São seus três primeiros LPs com a banda Isca de PolíciaBeleléu leléu eu, 1980; Às Próprias Custas S.A, 1983; Sampa Midnight, 1986e os três discos Bicho de 7 Cabeças, já com As Orquídeas, que saíram ano passado. Só ficou de fora o único LP dele produzido por uma grande gravadora Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava…, de 1988, pelas razões óbvias que envolvem corporações.
BELELÉU LÉU EU
Baratos Afins
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É engraçado que todo mundo acha que foi a própria Baratos quem lançou os discos, mas fora os do ano passado, é tudo reedição. O Itamar fez sozinho os dois primeiros, ele sempre paga todos os estúdios, não quer que a música dele seja de outra pessoa. Os tapes são todos dele e ela começou montando uma barraquinha pra vender os discos na rua, além de arranjar alguns vendedores pra levarem os discos pras lojas. Um deles, o Ruy Mifune, produziu o terceiro e reeditou o primeiro com outra capa. Mas isso tava pior que a barraquinha, apesar do Mifune ter acesso a várias lojas de disco. É que ele costumava fazer “tiragens especiais” (leia-se piratas) de LPs, tipo dos Beatles e do U2 e isso era superfácil de vender. Aí ele bateu na porta do Calanca, que abraçou e aqui estamos nós. Os negócios informais do Mifune eu não faço idéia em que pé andam, mas não devem estar lá essas coisas, afinal de contas prensar CD pirata é impossível.
Já o Calanca se deu bem, tem na sua gravadora uma das maiores promessas de renovação da música brasileira moderna. Com esses relançamentos, agora num formato mais acessível, logo todo mundo vai descobrir o Itamar e eles dois vão nadar em rios de dinheiro. A única reclamação que eu tenho a fazer é que O Bicho de 7 Cabeças em vinil são três discos separados, mas a Baratos fez um CD duplo, o que meio que matou a trilogia. Ficou feio mesmo, e um pouco confuso. Mas tenho certeza que, com o sucesso, um dia eles fazem os três CDs avulsos direitinho.
ANDRÉ M.