DOS & DON'TS

The only thing worse than an 18-year-old boy is a 22-year-old boy. Look at their slimy man-child faces, awkwardly smoking cigars and ordering grown-up drinks that they don’t know the ingredients of. We had to get out of there before they started telling us how “mad crazy” the recession is. Comments/Enlarge | See all


It’s fun to pretend you’re sick so you can sleep past the schoolbus time, but then around 11, when your parents are at work and all your friends are at school, you’re kind of like, “I’m running out of fuckin’ ideas ovah hea.”
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entrevista bernardo loyola

O EZLN abre as portas do supermercado para o povo.

Em dezembro de 1993, Marco Antonio Cruz, o diretor da Imagem Latina, uma agência independente de fotografia com sede na Cidade do México, passou algumas semanas fotografando pessoas cegas, para um projeto pessoal, nas montanhas de Chiapas, o estado mais ao Sul e mais pobre do México. Logo antes do Natal, ele voltou para sua casa na Cidade do México para passar as festas em família. Depois da festa da virada para 94, ele foi dormir, e às 7 da manhã foi acordado com o telefonema de seus amigos fotógrafos, que lhe contaram que em Chiapas, exatamente onde ele estava alguns dias antes, um grupo de guerrilheiros havia declarado guerra ao governo mexicano—no mesmo dia em que o NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) entrou em vigor. Ele imediatamente fez as malas e se mandou para o aeroporto.

Vice: Qual foi sua primeira reação quando soube que um grupo de indígenas armados e com gorros balaclavas tinha declarado guerra ao governo mexicano?
Marco Antonio Cruz:
Fiquei muito surpreso quando escutei que o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) tinha tomado o poder em alguns municípios, tanto dentro da floresta quanto nas regiões montanhosas do estado. Todo mundo ficou surpreso. Era um dos momentos mais importantes para o governo do Carlos Salinas de Gortari porque o NAFTA estava começando naquele dia. De acordo com ele, o país estava prestes a entrar em uma nova fase.

Sim, segundo ele, o México estava prestes a entrar para o Primeiro Mundo. Dizem que Salinas estava comemorando na praia, segurando uma taça de champanhe, quando soube dos zapatistas.
Acho que para Salinas o surgimento da guer-rilha foi um grande golpe. O governo e o exército foram pegos de surpresa. Eu estava em Chiapas uma semana antes do levante e não ouvi nada a respeito! A descrição deles foi impressionante. Tenho um monte de amigos jornalistas em Chiapas e eles também não sabiam nada a respeito.

Você foi um dos primeiros jornalistas a cobrir o levante. Quando você chegou lá?
Assim que fiquei sabendo do que estava acontecendo, corri para o aeroporto. A única companhia aérea que voava para Chiapas tinha cancelado os vôos por motivo de segurança, mesmo sem saber a real dimensão da situação. Então, eu e outros repórteres dos jornais locais nos juntamos e pressionamos a companhia para que abrisse um vôo para nós. Depois de muita insistência conseguimos, e eu voei com um grupo de 12 jornalistas, a maioria deles fotógrafos, para Tuxtla Gutiérrez, a capital de Chiapas. Alugamos carros para irmos imediatamente para San Cristóbal de las Casas, onde aconteceram as primeiras ações dos guerrilheiros. Já estava escuro quando saímos, e a estrada estava bloqueada por árvores. Decidimos esperar e seguir viagem de madrugada para podermos entrar em San Cristóbal quando já houvesse luz. Quando chegamos na cidade, o Exército Zapatista já tinha saído de lá. Tiramos fotos do Palácio Municipal, de como estavam os escritórios lá dentro. Os zapatistas tinham aberto um supermercado e as pessoas estavam pegando tudo o que podiam. Os muros do centro da cidade estavam todos pichados.

O que diziam as pichações?
Diziam que iam atacar o Rancho Nuevo, uma base militar, então fomos para lá. A base ficava a alguns quilômetros depois de San Cristóbal, na direção de Ocosingo. Antes de chegarmos lá, um Volkswagen branco veio em nossa direção. O motorista, que depois descobrimos se tratar de um jornalista local, nos disse para ficarmos longe, porque estava tendo um tiroteio insano lá. Bom, quando te dizem para não ir é como um convite para fazer o contrário! Tivemos sorte de não sermos alvejados quando chegamos. A base do exército é logo ao lado da estrada, e vimos os soldados nas trincheiras, agachados e nos dizendo para que não nos movêssemos. Eles poderiam ter atirado na gente.

Que tipo de armas eles estavam usando contra os zapatistas?
Metralhadoras.

E os zapatistas?
Não dava pra ver os zapatistas porque eles estavam escondidos na floresta, atrás das árvores. Vimos um carro do exército ser baleado e eu fotografei um helicóptero e uma Hummer vindo resgatar os soldados feridos. Foi a primeira vez na minha vida que eu fotografei o exército mexicano disparando.

A verdade é que raramente vemos o exército mexicano em ação.
Era algo inédito para a gente. Nossa geração de fotojornalistas era muito jovem para ter coberto as guerrilhas mexicanas dos anos 70 como La Liga Comunista 23 de Septiembre. Tudo o que sabíamos era que na época o exército tinha aniquilado os guerrilheiros. Essa era a nossa única referência para o que estávamos testemu-nhando. Nunca imaginamos que aconteceria algo assim.




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