VICELAND HOJE - 02/2012



CHOLOS E LOW RIDERS: FOTOGRAFIAS DE RETORNADOS MEXICANOS

29/02/2012



O Carlos Álvarez Montero é um dos nossos fotógrafos mexicanos favoritos. Quando não está a trabalhar nos seus próprios projectos documentais (que podem incluir todo o tipo de pessoas, desde o Enrique Metinides à Diane Pernet), gosta de fotografar aqueles mexicanos de Nova Iorque que em vez de consertar low riders, passam o tempo a fazer tunning às biclas ou a organizar romarias à Virgem Guadalupe.

Para o seu projecto M de Michoacán, no entanto, o Carlos fez exactamente o oposto e viajou até à cidade de Jacona, no estado de Michoacán, para fotografar expatriados que regressaram recentemente ao México. Ligámos-lhe para descobrir um bocadinho mais sobre tudo isto.


VICE: Quando começaste a trabalhar no M de Michoacán?
Carlos Álvarez Montero:
Comecei em 2006 e continuei até ao verão de 2009.

Como é que decidiste o que ias fotografar?
Tudo começou com uma proposta de reportagem para uma revista nova-iorquina. A ideia era escrever um artigo sobre gangsters mexicanos. Na altura o meu amigo Billie vivia em Zamora, em Michoacán, e contou-me que havia muitos cholos em Jacona. Uns dias depois, já eu estava lá. Quando acabei de trabalhar na peça, o editor de fotografia da revista tinha saído e as imagens nunca chegaram a ser publicadas, mas pensei que devia continuar a trabalhar nisto, por isso voltei e comecei a fazer um documentário com o Pedro Jiménez Gurría.

Viste algum destes tipos desde que acabaste o projecto?
Tenho falado com eles por telefone e estou a pensar voltar lá em breve. Assim que seja seguro ir.

















TEXTO POR BERNARDO LOYOLA
FOTOGRAFIA POR CARLOS ALVARÉZ MONTERO


A CONFUSÃO MAIS QUENTE À FACE DA TERRA

29/02/2012

DADAAB É O OÁSIS SOBRELOTADO DE REFUGIADOS NA ÁFRICA ORIENTAL

As areias de Dadaab ofereceram salvação a muitos que se encontravam desamparados e esfomeados.

Enquanto os mais sortudos passaram o Verão estupidamente quente de 2011 fechados em quartos com ar condicionado, a rodar cubos de gelo à volta dos mamilos e a deitar abaixo jarros de Pimm’s, o Corno de África atravessava a pior seca dos últimos 60 anos. Passaram meses sem uma pinga de chuva, o que resultou naquele tipo de fome que muitos apenas conhecem de mitos e textos religiosos.

Pessoas na Etiópia, Djibuti, Somália, Quénia, Uganda e em outras partes da África Oriental experienciaram níveis chocantes de fome que pode levar à morte de centenas de milhares de crianças, de acordo com um oficial da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Muita da população da região abandonou a terra natal rumo a Dadaab, um dos mais antigos e maiores campos de refugiados da História. Dadaab situa-se no deserto do Quénia, aproximadamente a 100 quilómetros da Somália (local do “pior desastre humanitário” do mundo, de acordo com o Alto Comissário das NU para Refugiados, António Guterres). Tecnicamente composto por três campos — Hagadera, Ifo e Dagahaley —, Dadaab foi construído em 1991 com capacidade para abrigar 90 mil pessoas. O campo alberga hoje 400 mil deslocados, com aproximadamente mais 1400 a chegar todos os dias, metade dos quais são crianças. Estima-se que a população da área possa atingir os 500 mil antes do final do ano. Algumas famílias vivem aqui há gerações, com filhos sem identificação ou sem nação de origem.

Com a ajuda dos Médicos Sem Fronteiras, o fotógrafo James Mollison visitou Dadaab em Julho para retratar a grande variedade de pessoas que vive na região. James também fotografou as suas casas, que se resumem, muitas vezes, a chãos de terra e paredes de tecido.


Maryan, 35 anos, e os seus filhos partem para Dadaab com um grupo de 30 refugiados e o seu gado. Foram rapidamente interceptados por um gangue de assaltantes que lhes levaram quatro vacas. Passaram por mais sete dias e sete noites de escalada para chegarem à segurança de Dadaab. Maryan tem esperança que os filhos recebam educação no campo e sente que a vida será melhor ali do que na sua terra natal.

Said Ali, 10 anos, vive no campo com os pais e quatro irmãos há já um ano. O pai de Said vendeu as suas cabras para comprar bilhetes de autocarro para o Quénia. Said acredita que a vida é melhor aqui do que na Somália, porque a existência de comida, água e educação é maior. Ele nunca foi à escola no seu país natal. A sua alimentação consiste de ugali (milho), mas na semana anterior a este retrato teve a sorte de trincar um pequeno pedaço de carne.

Nirto Shukri Adeli, 15 anos, de Afmathou, Somália. Ela dorme numa cabana com os pais e nove irmãos. Passa a maior parte do tempo a cuidar deles. Nunca foi à escola.

Aden Mohid Suthi, 50 anos, de Salagle, Somália, estava no campo há já 20 dias com os quatro filhos pequenos quando esta foto foi tirada. Abandonou Salagle devido à seca e às disputas de clãs. Aden foi agricultor quando a chuva era mais frequente. Começou a construir um abrigo, mas de momento vive com a família nesta cabana de familiares. As mulheres dormem no interior e os homens sob as estrelas.

Habiba Ali, 23 anos, com o seu filho, Hassan Farah. Após dois anos de seca e fome, partiram da sua vila Bu’aale, na Somália, numa carroça puxada por um burro. Como tantos outros refugiados em viagem, também eles foram atacados por bandidos no caminho. Ela nada tinha para lhes dar, por isso incendiaram-lhe o carro. Sem outro meio de transporte, Habiba e o seu filho viram-se forçados a caminhar durante 30 dias para chegar a Dadaab. Habiba e o seu filho já viviam no campo há um mês quando o seu retrato foi tirado. Passaram algum desse tempo numa enfermaria temporária dos Médicos sem Fronteiras no campo de Dagahaley, onde recém-chegados malnutridos são tratados diariamente.


FOTOGRAFIA POR JAMES MOLLISON


NOISEY: SO SO GLOS

29/02/2012



Os So So Glos são quatro amigos — Alex Levine, Ryan Levine, Zach Staggers e Matt Elkin — que tocam um punk revivalista (pensem no Reino Unido dos anos 80) e dão uns concertos animados. Não podes comprar a música deles online (não têm editora), mas é fácil apanhar um concerto dos So So Glos algures na sua Brooklyn-natal. O Alex e o Ryan são irmãos e conhecem o Zach desde criança. O pai do Zach e a mãe dos Levine eram amantes e divorciaram-se dos respectivos para se casarem um com o outro, alargando a família no processo. Não sem algum trauma, claro: o primeiro nome da banda era Every Other Weekend, uma referência de decifração fácil para quem tem pais separados. Foi já como So So Glos que Matt, o guitarrista, se juntou ao grupo, formando assim um quarteto de adeptos dos Mets.


NOISEY


AS PESSOAS SÃO DEMASIADO IDIOTAS PARA SABER TIRAR FOTOS COM O TEMPORIZADOR

29/02/2012



Não tenho a certeza se já vos disse isto, mas aqui há uns tempos comprei uma máquina e depois estraguei-a. Agora parece que o temporizador não funciona! Estava a sentir-me mesmo mal, por isso fui ao Google procurar outros idiotas com dificuldades em saber usar o temporizador da máquina. Felizmente, há disso ao pontapé na net — que alívio!

























POR EQUIPA VICE


PERGUNTA DO DIA: QUEM ERA AQUELE TIPO QUE APRESENTOU OS ÓSCARES?

29/02/2012



Parece que lá passou mais um ano de entrega de estatuetas douradas a gente rica e famosa que ficou, erm, surpreendida — foi isso? Desculpem lá se não prestámos muita atenção, mas isso deu a altas horas da noite e estávamos ocupados a fazer cenas mais fixes. Ainda assim, do pouco que vimos, deu para reparar no tipo estranho com cara de bule a fazer observações esquisitas e a mandar piadinhas. Fomos ao Google e descobrimos que era o Billy Crystal. Parece que o gajo até já entrou em filmes, por isso fomos para as ruas do Porto descobrir se mais alguém tinha tido a mesma reacção.


VICE: Olá! Sabes quem é o Billy Crystal?
João Paulo:
Foi o gajo que apresentou a última cerimónia dos Óscares.

E já viste algum filme dele?
Talvez, por acaso não sei.

Achas que ele foi divertido nos Óscares?
Não.

Nada?
Nada. O Hugh Jackman elevou muito a fasquia e o Billy Crystal já não conseguiu estar à altura.

Então presumo que já não o queres ver para o ano.
Não faço grande questão.


Olá Joana. Por acaso sabes quem era aquela pessoa que estava a apresentar os Óscares?
Joana Alvarez:
Billy Crystal?

Certooooo! Viste algum filme com ele?
Eiii, tantos! Agora nomes não sei de cor. Foram tantos, tantos e tantos. Desde a minha infância! Sei que ele é um grande comediante e um grande actor. Agora os nomes dos filmes não sei.

Achas que ele foi divertido na cerimónia?
Sim, mas estava à espera de um bocado mais. Ele também já está velho, por isso achei bom. Tranquilo. Não foi nada exagerado, tipo se fosse o Chris Rock ou assim.


Olá, viste os Óscares?
Nuno Mota:
Vi.

Sabes quem era o apresentador?
Sim, sei. É o Chris… Chris qualquer coisa.

Não, esse é o outro. O principal, o Billy Crystal. Sabes quem é? Lembras-te dele?
De alguns filmes, sim. Mas não sei nenhum em específico.

Não te lembras de alguma personagem que ele tenha feito?
Ele não fez um talk show?

Acho que não. Ele teve piada nos Óscares?
Na parte da introdução teve bastante piada, mas houve ali certos comentários com que eu não me identifiquei.

E o resto dos Óscares, achaste interessante?
Nada de mais, aquilo é sempre a mesma coisa. Foi muito previsível. No ano passado foi muito mais interessante, houve ali uma discussão e não se sabia quem ia ganhar. Agora este ano foi desenxabido.

Gostavas de ver o Billy Crystal nos Óscares para o ano?
Tanto me faz. A mim aquilo não diz nada, tanto me faz ser um como outro. Mas ele já faz isto há nove anos, se calhar já é altura de mudar.


Olá Rita, sabes quem é o Billy Crystal?
Rita Maia:
Não.

Aquele homem estranho a apresentar os Óscares. Gostaste dele?
Não muito.

Achas que ele foi engraçado?
Se calhar mais a música que ele fez, a falar sobre os filmes nomeados, porque de resto não achei que fosse assim nada de especial.

Gostavas que ele fosse o apresentador para o ano?
Ele tem ido sempre, não é? Ouvi dizer que foi a nona vez. Acho que faz bem variar também.

Lembras-te dele de mais algum lado?
Lembro-me dele em filmes. Não tenho a certeza, mas ele não entrou n’A Máscara? Ah, não! Foi no filme do Mr. Bean!

Huum, não me parece.


Boas Rita! Sabes quem é o tipo que apresentou os Óscares de domingo?
Rita:
Claro, é o Billy Crystal. Gosto muito dele, por acaso.

Já viste algum filme dele?
Não me lembro, mas já vi vários. Vi um com a Meg Ryan, mas não me lembro do nome.

E nos Óscares, achas que ele foi divertido?
Sem dúvida.

Queres vê-lo lá para o ano?
Com certeza!


Ei, Filipa. Sabes quem é o Billy Crystal?
Filipa Lima:
Não.

Viste os Óscares?
Vi partes.

Sabes quem era o apresentador?
Não sei o nome…

É o Billy Crystal!
Aaaah! [risos]


ENTREVISTA E FOTOGRAFIA POR REBECA BONJOUR


MÚSICA: ALEX TURNER

29/02/2012

Submarine
Domino
Classificação: 8/10

Quem diria que o gajo dos Arctic Monkeys tinha este punhado de boas canções ou que o totó do IT Crowd soubesse fazer um filme? Seja como for, vão estar a agradecer a ambos quando isto vos servir de banda sonora para o vosso primeiro desgosto amoroso. Resta dizer que a estreia a solo do Alex Turner ganha mais vida depois de se ver o filme com o mesmo nome, o que geralmente é meio insultuoso, mas não neste caso já que, afinal de contas, isto é uma OST.

BOTICHELLY


A MINHA NAMORADA É DE OUTRO PLANETA

29/02/2012


FOTOGRAFIA POR SANNA CHARLES
STYLING POR SAM VOULTERS
CABEÇAS POR PENNY MILLS
ASSISTÊNCIA POR SIMON WELLINGTON


Sutiã Princesse tam.tam, cuecas Playful Promises, colar vintage; cuecas Pull-in.

Top WeSC, casaco vintage e jeans Levi’s, botas Timberland, anel vintage; top AllSaints, hoodie Fila, calças Monki, botas CAT, meias vintage.

Camisa ASGER JUEL LARSEN, top FANNY AND JESSY, calças American Apparel, sapatos vintage; t-shirt DC Shoes, jeans April77, sapatilhas Vans, colar vintage.

Top American Apparel, casaco Stone Island, jeans Sparks, botas Dr. Marten’s, anéis vintage; top Fat Face, casaco Alpha Industries, jeans AllSaints, sapatos vintage, meias UNIQLO.

Casaco vintage, hoodie UNIQLO, t-shirt Fred Perry, calças Topman, sapatilhas Nike, meias e joalharia vintage; camisa Carhartt, t-shirt Nike, calções Volcom, sapatilhas Nike, meias e leggings vintage.

T-shirt Boy London, calças American Apparel, sapatilhas Vans, meias vintage; top vintage, calças Carhartt, sapatilhas Nike, colar Bjorg, roupa interior e meias vintage.


PASSATEMPO: VAIS TER QUE TE MEXER PARA IR AO MEXEFEST DE BORLA

28/02/2012



Depois de uma primeira edição em Lisboa, o Vodafone Mexefest vai estrear-se no Porto nos dias 2 e 3 de Março. Os concertos, a acontecer em variados lugares, vão tomar de assalto a Baixa portuense (a crescer desde 2007!) e dar música ao Coliseu do Porto, Passos Manuel, Maus Hábitos, Pitch, Teatro Sá da Bandeira, Ateneu Comercial e Fnac de Santa Catarina — apenas para citar os sítios mais ortodoxos para curtir um concerto. Menos tradicionais serão os palcos montados nos cafés Majestic e Guarany, na garagem da Rua Passos Manuel (Garagem Vodafone) ou num eléctrico (que pode ser encontrado no cruzamento entre a rua de Passos Manuel e a de Santa Catarina). Se já sabem que este é o acontecimento obrigatório do próximo fim-de-semana, autorizamo-vos a passar directamente para o final do artigo, onde encontram todos os detalhes do passatempo — caso contrário, leiam tudo.


O cartaz do Mexefest Porto inclui Twin Shadow (Coliseu do Porto, dia 3, 00h00), o projecto para meninas do George Lewis Jr. com “texturas embrulhadas em sintetizadores e guitarras dos anos 80”, a norte-americana St. Vincent (Coliseu do Porto, dia 2, 00h30), cuja música está entre o indie rock e o cabaret jazz, ou os Best Youth (Maus Hábitos, dia 2, 21h40), a dupla que nos deu o tema-bomba “Hang Out”.


mexefest-4
Tocam ainda Cass McCombs (Teatro Sá da Bandeira, dia 2, 23h15), que no ano passado nos deus, entre outras coisas, Wit’s End pela Domino Records dos Animal Collective e, continuando a subir pela Baixa portuense até outras latitudes sonoras temos: Dillon (Passos Manuel, dia 3, 21h00), uma miúda que é uma espécie de elo perdido entre a Björk e a Joanna Newsom, ou a estreia de Hanni El Khatib (Garagem da rua Passos Manuel, dia 3, 23h05) cujas canções são “para todos aqueles que já foram baleados ou atropelados por um comboio”. Se estão à pensar num tipo de turbante a cantar “hagan abege hehetti” no meio do deserto, pensaram mal e deviam dar-lhe uma oportunidade com o vídeo aqui em baixo.




A nível nacional podem ir ver e ouvir os Lacraus (uma palavra alentejana para escorpião), uma banda “entre o roque enrole e o panque roque”, o mestre da guitarra Norberto Lobo e — este é um conselho VICE — os The Glockenwise, que passaram recentemente aqui pela redacção, ou os Alto!, que chegam ao Porto com o aviso “risco de vício imediato”. Se a vossa cena é a música electrónica, relaxem que não foram esquecidos. Podem ir curtir a Emika, os Tiger&Woods, o Makam ou ir para fora cá dentro com os portugueses Rui Trintaeum e Social Disco Club.



Lembrem-se: o Vodafone Mexefest acontece já no próximo fim-de-semana e os bilhetes custam 40 euros. A VICE tem quatro passes únicos para oferecer ao pessoal com os dedos mais rápidos: enviem-nos um email (com o título deste post como assunto) com o vosso nome e número de BI/CC. Tipo, agora!


POR EQUIPA VICE


DESIGN SONORO DOS BANCOS DA ESCOLA PARA A CIDADE

28/02/2012



Ninguém curte muito soundchecks. Apanhar seca à espera que comece o concerto enquanto um gajo ou dois dão uns acordes e afinam as guitarras? Só tem mesmo piada para quem está a fazer o soundcheck e, mesmo assim, está longe de ser a cena mais interessante do mundo — mas tem que se começar por algum lado (alguns de nós começaram a entregar piza).

Agora que temos a vossa atenção (e ódio): não é desses soundchecks que estamos a falar. Soundcheck 1.0 é a exposição dos trabalhos dos alunos do 1.º ano da Licenciatura em Design Sonoro — pausa, respira — do Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos (IPA). Aproveitámos para falar com os nossos amigos do IPA — quem deu à língua foi o Emídio Buchinho, professor de Técnicas de Estúdio de Som, e um dos três mentores do projecto — sobre a exposição, a ver se no futuro nos mandam uns estagiários para explorar.


VICE: Olá Emídio. Então, o que é este Soundcheck 1.0?
Emídio Buchinho:
É uma exposição dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos do 1.º ano da Licenciatura em Design Sonoro, que abriu este ano. É a primeira no país. A exposição compreende trabalhos de instalação de arte, instalação pública, dois projectos de rádio, por exemplo e um manequim com difusores de som. Existem também trabalhos como sonorizações de excertos de filmes. Isto foi feito no âmbito da cadeira de projecto de Design Sonoro.

Hoje em dia é tudo 2.0. Porque é que escolheram fazer isto em 1.0?
O nome Soundcheck tem a ver com a experimetação, com o ensaio. E isto no fundo não são trabalhos muito definidos, são quase experiências, formas diferentes de preparar o som. O 1.0 pode ter significados diferentes, porque é a primeira mostra, porque é a primeira Licenciatura de Design Sonoro, porque é a primeira vez que estamos a fazer isto, no fundo.

Podemos contar com mais edições?
Sim, existe a intenção de fazer outros Soundchecks e outras exposições do género. Alguns destes trabalhos vão estar também, em Março, no Futuralia, em Lisboa. Também queremos fazer outras exposições com trabalhos de outras áreas como Multimédia Interactiva. Temos uma fornada dessa área que está a acabar o curso este ano e já estão interessados mostrar o que andaram a fazer.

É curioso, muitas das músicas que ouço são faixas de bandas sonoras. Não são tão constritas como uma música normal (na maioria dos casos, claro), ou pelos menos não têm que ser. É isto que se pode esperar ouvir no Soundcheck 1.0?
Sim, trata-se de criação de arte sonora, de objectos sonoros para vários tipos de usufruto. Ambientes musicais sejam filmes, ou esculturas sonoras. Temos, por exemplo, um aluno que pensou em criar uma rádio não só para inserir coisas mais comuns, mas também o trabalho dos seus colegas que são mais abstractos ou experimentais. Outros fazem criação sonora para sequências de filmes, como por exemplo o Chungking Express. Isto partiu do desafio que lançámos de criar para esses filmes um objecto sonoro ou banda sonora. Obviamente não há fins comerciais, isto vai servir apenas para fins pedagógicos e utilização interna. Outro aluno criou uma banda sonora chamada “Cozinha com Rádio” só com sons captados numa cozinha — editou, gravou e compôs. Outro trabalho é uma série de fotos de um mercado com fotos e banda sonora original, é bastante interactivo na medida em que permite seleccionar pistas e ouvir os diferentes sons que fazem a banda sonora.

Como é que vai funcionar a exposição?
Existem quatro computadores, quatro pontos de escuta. Os trabalhos estão a correr em loop. Qualquer pessoa quando chega a cada computador pode escolher o que quer ouvir e um dos trabalhos, como disse, está em multi-pistas, para o utilizador interagir com esse trabalho.

Se eu fosse professor de Design Sonoro tocava John Carpenter em todas as aulas. É preciso educar as mentes jovens. Achas que se pode encontrar algum talento escondido com o Soundcheck?
Há trabalhos de alunos que são brilhantes. Sei que sou suspeito, mas estou a ser sincero. E são trabalhos feitos com ferramentas bastante básicas. Eles conseguiram tirar muito bom partido do que tiveram disponível. Esta é uma exposição modesta. O trabalho que lá está tem bastante qualidade. Espero que existam mais oportunidades para mostrar aquilo que estes alunos sabem fazer.

Isto vai acontecer num novo espaço chamado Test Space (testar o espaço, que desafio!). Queres dizer alguma coisa sobre este novo espaço? (novo espaço, uaaaau!)
A ideia para o espaço não é a da exposição convencional, trata-se de uma área na escola onde se pretende mostrar os trabalhos que são feitos na escola e que está virada para a rua. A ideia é que o transeunte possa entrar, ver e ouvir o que se faz na escola. É como se fosse uma montra dos nossos trabalhos. E acima de tudo é um espaço de experimentação, de teste como diz o nome.

A exposição está patente de 2ª a 6ª, das 14h00 às 18h00 (aos sábados das 18h00 às 22h00), entre 27 de Fevereiro e 14 de Março, na Rua da Boavista, 67 D, Lisboa.


POR EQUIPA VICE


MÚSICA: JACQUES GREENE

28/02/2012

Concealer
Vase
Classificação: 6/10

Este é o gajo que fez uma remix dos Radiohead, não é? Pois. Bem, se assim é, tenho de confiar nos ouvidos e na visão do Thom Yorke porque mesmo com meio olho a menos o gajo costuma estar certo na música de que gosta. (Sim, é uma questão de certo e errado. Fodam-se. Hoje sinto-me elitista.) Concealer é um EP de quatro malhas apontadas para a pista, podendo ser inseridas em qualquer um destes géneros estilísticos: pós-dubstep, future garage, drugless acid techno. Fica ao vosso critério. “Flatline”, coisinha pop meio colada a Jamie Woon — que também é bom, verdade — assume-se como a faixa mais fraca, mas de resto os beats de “Clark” ou de “Arrow” darão jeito aos DJs da nova apanha que por aí circulem. Ou aos tipos que precisem de música para andar em casa, num domingo de manhã, só com um robe e chinelos grenat.

PAULO CECÍLIO