VICELAND HOJE - 01/2012



O SÍTIO ONDE OS JPEGS VÃO PARA MORRER #3

31/01/2012



Aqui vão algumas fotos para ver se conseguimos despedir alguém à distância.





























POR EQUIPA VICE


PARABÉNS ATRASADOS, PHIL COLLINS

31/01/2012



Phil Collins: compositor, cantautor, baterista, filantrópico, 1/3 dos Genesis e todas as partes fixe. O Phil Collins é tão fixe que faz desaparecer o conceito de generation gap: a tua mãe curte e eu também (ou pelo menos foi o que eu lhe disse para ir para a cama com ela).

Ontem o Phil fez 61 anos e lembrei-me que, há coisa de um ano, ele disse, em entrevista ao Daily Telegraph que ninguém iria ter saudades suas depois de se reformar. Perguntei ao pessoal aqui na redacção o que achavam e recebi um unânime “iá, ninguém quer saber” — ao ouvir isto, não podia deixar os meus amigos na ignorância, por isso decidi compilar algumas das razões que fazem do Phil uma pessoa altamente. Cá vai:



1-
Já tocava bateria sincronizada antes dos Safri Duo.




2-
Se não inventou, seguramente popularizou o gated reverb, aquele efeito de bateria que entra em para aí todas as músicas do Phil.



3-
Ganhou um Óscar!™



4-
Acabou com os Genesis (seca de banda!).




5-
Fez a música mais introspectiva de sempre, um tema que nem o próprio Phil sabe sobre o que fala, mas que parece ser sobre aquela vez em que o Phil viu uma pessoa morrer afogada — criando ao mesmo tempo a melhor lenda urbana de sempre (2-em-1, Phil, boa!).




6-
Tocou com Jethro Tull.



7-
Segundo a Wikipédia toca seis géneros diferentes: progressive rock, rock, pop, jazz fusion e R&B. Eu só falo três línguas.




8-
Aparece no Grand Theft Auto: Vice City Stories.


Acho que isto comprova a minha tese sobre o Phil Collins sem deixar qualquer lacuna ou dúvida em aberto. Mas aqui vai um extra: só um gajo altamente para se despedir da forma como o Phil se despediu, na entrevista ao Daily Telegraph: “Vou partir numa misteriosa viagem de bicicleta e nunca mais vou voltar.”

Já temos saudades. E parabéns atrasados, Phil.


TEXTO POR DAVID PINHEIRO SILVA


OS ANONYMOUS ESCOLHERAM A MASCOTE ERRADA

31/01/2012



Não há dúvida de que os Anonymous são a actual cara da luta anti-repressão. Não baixam os braços contra a censura, atacam directamente o sistema sem medos. A sua marca é sentida em todas as manifestações recentes, do #Occupy ao Egipto — mas tudo isso é essencialmente feito por um bando de gajos que escreve linhas de código num portátil e que sai para a rua armado apenas com cartazes e smartphones. É, por isso, um pouco incoerente que estes nerds adoptem como símbolo a máscara de um terrorista cujos meios de luta contra o sistema passavam por bombardear parlamentos e assassinar figuras do regime. Se a personagem em questão não fosse fictícia, isto seria quase tão mau como os betos que vestem t-shirts do Che para se manifestarem contra as propinas.

Em V for Vendetta, Alan Moore faz-nos temer a personagem. Apesar de concordarmos com os seus fins, é suposto ficarmos enojados com alguns dos meios, em especial com a tortura psicológica a que submete a pobre prostituta que salva no início do livro. Ainda por cima, a máscara só é vendida porque um estúdio da Big Hollywood decidiu fazer um filme baseado na obra, filme esse que o autor nunca autorizou. Podem protestar à vontade: desde que isso signifique mais máscaras vendidas (pelas quais o Moore não vê um centavo) a Warner Brothers deixa-vos em paz.

Por estas razões, sempre me pareceu que o melhor seria esquecer o V como mascote da revolução e optar por Spider Jerusalem do Transmetropolitan de Warren Ellis. O universo de Transmetropolitan é em tudo mais parecido com aquele em que vivemos do que o de V for Vendetta. Em primeiro lugar, e por pior que as coisas estejam, não vivemos num regime completamente orwelliano/fascista. Ainda temos eleições, ainda podemos dizer o que nos apetece sem censura prévia. Podemos ser condicionados de forma limitada e súbtil, mas não é o Estado que controla todos os meios de comunicação. Que me lembre, não há sequer nada parecido com a internet na obra de Moore.


Transmetropolitan é, essencialmente, uma versão exagerada do que temos actualmente e daquilo que nos espera num futuro próximo. E, apesar da série ter estreado no final dos anos 90, paradoxalmente parece mais actual a cada ano que passa. Neste universo ainda temos eleições, mas o processo político só é tornado público depois de filtrado pelas lentes do show biz. Qualquer que seja o vencedor desse processo, quem se lixa é o povo, alienado de tudo o que é importante por um bombardeamento incessante de informação. Existem ecrãs nos passeios, gajos que andam com bluetooths gigantes nos ouvidos, constantemente a gravar e a exibir tudo o que vêem. Tanto programa de entretenimento para ver, tantos comentadores baratos e pivôs para escutar, tanto produto para consumir, que poucos se estão a marimbar para o que se passa na esfera política. Ricos mais ricos, pobres mais pobres, mas ninguém parece notar. Até, claro, que a corrupção chega a um ponto de podridão insustentável e o único jornalista com coragem para fazer o seu trabalho, o nosso Spider Jerusalem, lidera uma revolução contra um presidente que esconde toda a sua malvadez por trás de um sorriso simpático.

Enquanto que V lutava contra o sistema matando as suas principais figuras, Spider pega no seu laptop e narra, com livefeed, a repressão que vê nas ruas. A sua mensagem é de tal forma difundida que não pode ser ignorada — e isto logo nos três primeiros números da revista, o que significa que Ellis previu o impacto do Twitter em 1997! Spider foge à censura: quando, por ordem do governo, é despedido da revista onde trabalha, continua a publicar os seus artigos através de um servidor secreto que o governo não consegue travar. Usa todos os meios possíveis e imaginários para obter e divulgar informação que os poderosos não querem revelada, como um Julian Assange, mas um Assange que nunca se venderia a um canal controlado pelo Kremlin. É verdade que também mata meia dúzia de pessoas pelo caminho, mas é quase sempre em autodefesa.

A única razão para os Anonymous optarem pelo V é o anonimato. Nunca sabemos com clareza quem é V, mas Spider, por outro lado, é, por natureza, espalhafatoso — baseado em Hunter S. Thompson, o herói de Transmetropolitan é uma estrela do jornalismo, odiado e amado por milhares, tanto pela sua prosa como pelo seu consumo industrial de estupefacientes. É completamente o oposto de um rebelde que não dá a cara, mas as vantagens de ter V como símbolo ficam mesmo por aqui. Até os Anonymous deixarem o 4chan e começarem a colocar bombas nos parlamentos ou a matar ministros e agentes de polícias secretas, o melhor é raparem todos os pêlos do corpo, encherem-se de tatuagens e usarem óculos com lentes vermelhas e verdes.


TEXTO POR LUÍS LAGO


FINALMENTE: UM PADRE QUE INCENTIVA O SEXO ORAL

31/01/2012



É tão reconfortante encontrar um cristão que consegue falar sobre sexo de uma maneira normal e credível. Vejam, por exemplo, o pastor Mark Driscoll que escreveu o livro Casamento Real: A Verdade Sobre Amizade, Sexo e a Vida em Conjunto, um manual sexual cristão disfarçado de guia de casamento que anda a moer a paciência a toda a gente nas últimas duas semanas. Os evangélicos estão assustados com o livro do pastor Mark e não é apenas por aprovar uma foda bem dada, mas também por falar sem complexos de espanholadas, role-playing, sexo anal e oral frequente ou brinquedos sexuais. Deve dizer-se, contudo, que as bênçãos do pastor só abrangem relações heterossexuais. Os liberais também estão enojados, mas pela razão oposta: acusam o pastor Mark de usar versos bíblicos para justificar a sua visão chauvinista de complementaridade entre géneros.

Como muitos outros rufias atordoados por cocaína, acho dificíl prestar atenção aos guinchos justiceiros de alguém religioso por mais de uns segundos sem bloquear, mas o tomo do pastor Mark prometia boas leituras e melhores risotas. Começa com a promessa, para as iniciantes, de que as suas palavras irão causar um inchaço incontrolável do clítoris, desde que não se tenha uma assinatura por cabo: “Se és mais velho, com um historial religioso altamente conservador, vives longe de uma grande cidade e não passas muito tempo na internet/não tens televisão por cabo, o mais provável é que queiras ler este capítulo sentado.”

Assim, depois de colocar a música e a roupa interior adequadas, penetrei no meu (Kindle e-)livro. O primeiro obstáculo: tentar perceber quem raio é que era suposto estar a falar. Na primeira metade do livro, o pastor Mark e a sua mulher Grace falam, alternadamente, da sua vida sexual conjunta — mas, em vez de cada um ter a sua vez, tipo, em capítulos alternados, é alta confusão porque falam a uma só voz na primeira pessoa do singular como uns esquizofrénicos siameses. Para se distinguir o ponto de vista do narrador, os nomes aparecem em parêntesis, o que resulta em frases do género: “Eu (Mark) gostava de fornicar. Parar de fornicar não foi divertido” ou, logo depois, “eu (Grace) não percebia completamente a natureza do meu pecado e a necessidade de Jesus morrer pelos meus pecados.” Estão a ver a cena?

Continuando. A Grace é mesmo aborrecida e basicamente só se queixa da sua infância ter sido uma merda, o que só é relevante por ela ter aprendido a mentir e nunca ter dito ao Mark que o traía no secundário (quando ele descobriu isso, num sonho que teve anos mais tarde, instalou-se alto 31). O pastor Mark, por seu lado, “mentiu sobre a sua idade, falsificou a certidão de nascimento, comprou um carro para ir trabalhar para uma loja de conveniência (junto a uns bares de strip) onde vendia licor, preservativos, porno, e álcool etílico a drogados” quando tinha 15 anos — coisa de super rufia.

Então, depois de conhecer um pastor bem macho que tinha cumprido o serviço militar, gostava de caçar e pinar, mas não era, como a maioria dos padres cristãos, um “gay alcoólico”, o Pastor Mark decidiu reformar a pila e parar de fazer sexo com a Grace — o que, perceberia mais tarde, é um tremendo aborrecimento, por isso não demorou muito a mudar de ideias, revertendo a decisão para tentar recuperar o tempo perdido.
No entanto, Mark descobriu que nem tudo é divertido quando a tua mulher é um pão sem sal como, por exemplo, daquela vez em que Grace pôs “as necessidades de mãe à frente das de esposa” e decidiu ir ao cabeleireiro em vez de ir buscar o material de flagelação. O casal acabou por conseguir resolver os seus problemas depois de Mark descobrir que a inadequação sexual de Grace era causada por um incidente traumático do passado. “Numa escala de 1 a 10”, conclui orgulhosamente o pastor, “diria que o nosso casamento está algures entre um 8 e um 9, quando aqui há uns anos não passava de um 3 ou 4.”


CLASSIFICAÇÃO: 2 DILDOS
O pastor Mark é o pastor mais fixe de sempre e tem verdadeiro street cred. Custa a crer que ele tenha as bolas necessárias para publicar conselhos para casais tão honestos. Do género: como é que uma mulher deve tirar as calças ao marido para lhe chupar a pila enquanto murmura “sou uma mulher arrependida”. Só não percebo que se tenha esquecido de mencionar a parte em que o tipo lhe enfia com tanta força que no dia seguinte ela nem consegue falar — mas provavelmente já estou a pedir muito.


TEXTO POR MICHELLE LHOOQ


PASSATEMPO: AQUAPARQUE NO MEU MERCEDES

31/01/2012




Depois de uma prolongada ausência, os Aquaparque regressam ao Porto na próxima sexta-feira, 3 de Fevereiro, para mais uma noite que promete canções de dança (física ou cerebral) atipicamente atormentadas no bar portuense O Meu Mercedes. O pretexto deve ser ainda a rodagem do impressionante Pintura Moderna, o discão do ano passado, que, entre outras conquistas, conseguiu pôr-nos a cantar a palavra “solipsismo” no refrão de “Para Além do Bronze” (vídeo aqui em baixo para essa canção tremenda de quero-tanto-lanchar-entre-as-tuas-pernas). Quem os viu recentemente, reconhecerá que os Aquaparque estão cada vez mais rotinados e intensos no seu rendimento. Esses e todos os outros poderão confirmá-lo n’O Meu Mercedes na residência mensal da Mana que nos enviou dois bilhetes duplos para vos oferecer contra a resposta à seguinte questão: em que tema do podcast (aqui em cima) gravado pelos Aquaparque para a Mana é possível ouvir o verso “vou cagar na tua mão”? Enviem para aqui as vossas respostas com o título deste post como assunto. Boa sorte e bom concerto.




POR EQUIPA VICE


MÚSICA: LINDSTRØM

31/01/2012

Six Cups of Rebel
Smalltown Supersound
Classificação: 8/10

Bem-vindo aos anos 80, Hans-Peter Lindstrøm! Põe-te confortável neste admirável mundo novo, conhece os nossos maravilhosos avanços tecnológicos. O sintetizador Fairlight, o sampler Akai e o conjunto musical Art of Noise — todos estas coisas te serão muito úteis no teu futuro álbum, Six Cups of Rebel. E porquê parar por aí? Junta-lhe algum prog rock, jazz fusão e música cósmica até que as pessoas se sintam a afogar num maximalismo psicadélico e multicor. Deus nos ajude quando ele começar a fazer techno.

JENNIFER JUPITER


COM E SEM T-SHIRT

31/01/2012


FOTOGRAFIA POR BLOSSOM BERKOFSKY
STYLING POR JACLYN HODES
MAQUILHAGEM POR TAMAH K


Cuecas Hanky Panky.

T-shirt Ksubi, cuecas Agent Provocateur.

Vestido McQ by Alexander McQueen.

T-shirt Converse, bustier Opening Ceremony.

T-shirt Actual Pain, cuecas Hanky Panky.

Cinto Miss Sixty, cuecas Hanky Panky.

T-shirt Mishka, meias Fogal.

T-shirt adidas, vestido Patricia Field.

T-shirt Ludwig, fato de banho Lux.




SKATE É FIXE E AJUDA A VENDER ROUPA

30/01/2012



Sei que é um bocadinho tarde para isto, mas decidi que a minha resolução de ano novo para 2012 é não comprar roupa nenhuma a não ser que as respectivas campanhas publicitárias envolvam explicitamente uma destas duas coisas (ou ambas, de preferência): skate e dubstep — de outra maneira como é que vou ter a certeza que é fixe? O último ano foi uma confusão de compras erradas até que depois percebi que poderia facilmente ter evitado isso prestando mais atenção à televisão: tudo o que é mais ao menos fixe tem skaters nos anúncios.

O skate não só é eficiente para vender cenas como também está em vídeos dos mais modernos e inovadores artistas do planeta e numa tonelada de sessões de fotos supeeeer relevantes. O que torna fixe o uso de skates nessas sessões é que qualquer preocupação no que diz respeito ao estilo vai directamente pela janela fora porque quando enfias ali uma tábua, estás também a atirar toda a riqueza e romantismo da história do skate e a sessão transforma-se automaticamente numa cena autêntica do zeitgeist cultural.


Sim, este skate não tem rodas. E então? Neste momento acho que toda a gente sabe que não precisas mesmo de cenas como rodas, trucks ou rolamentos para ser um skater credível. Desde que a tábua esteja com os desenhos de frente para a câmara, para que toda a gente veja como o teu projecto de Photoshop do secundário é radical, passas logo a ser altamente.


Chateia-me muito quando, em sessões de fotos com skates, há críticos desagradáveis a declarar o seu ódio às modelos por não terem contacto físico com a tábua. As pessoas esquecem-se de que algumas modelos são demasiado importantes para arriscarem ficar esfoladas, um dano colateral muito comum quando se anda de skate. Qual é, afinal, o problema de usar o skate como simples acessório? Assim podes pedir emprestada todas as partes fixes da cultura skater sem que ninguém bonito se magoe.


Para qualquer noob do skate que ande por aí e que esteja a ler este artigo para se informar sobre como usar um skate tanto por uma questão de moda como uma maneira estilosa de se chegar do ponto A ao ponto B: o que esta rapariga está a fazer é a posição congelada. Vais querer ter as tuas pernas neste ângulo, da maneira mais arriscada possível. Quanto maior for a probabilidade do teu tornozelo partir, melhor. Além disso, e como a modelo nos mostra, saltos altos são simplesmente perfeitos para iniciantes.


A atitude é uma parte essencial de ser skater. Como já disse, não importam muito os detalhes desde que o skate esteja visível no enquadramento, mas sente-te à vontade para brincar com expressões faciais e com o tom geral da fotografia. Sem querer generalizar: todos os skaters vivos conhecidos pelo Homem são notoriamente apáticos, por isso às vezes ajuda se pareceres não fazer ideia do que estás a fazer. És um skater!, por isso, tipo, ninguém quer saber.


Se tens um desejo impossível de sair com umas amigas e sacar-lhes umas fotos, mas não consegues encontrar um skater ou alguém que tenha um skate, nada temas! Há sempre algum skate parque por perto. Se tiver graffitis ainda melhor porque os graffs são, basicamente, dubstep na sua forma gráfica e, se prestaste atenção desde o início, já sabes que a única coisa que se aproxima do skate na escala do que é fixe é o dubstep. Certo? Certo.


Um último conselho antes de ires a correr limpar a tua skateshop local: lembra-te que os skates são ideais para sessões fotográficas justapostas: metes uma modelo toda pipi com roupas de alta-costura e brincos brilhantes e depois ela rebola em tinta preta para representar o vazio desolador da moda. Desiste da visita à loja de ferragens que apontaste a lápis na tua agenda e, em vez disso, usa um skate. Representa angústia, juventude, felicidade e raiva muito melhor do que a tinta preta algum dia poderá representar. Especialmente se for amarelo vivo e tiver uma carinha divertida e fofinha.


TEXTO POR JAMIE CLIFTON
Queres ver mais fotos ridículas de pessoal da moda a fingir que curte skate? Carrega aqui.


SEM VÉU: EM CASA DE ALGUMAS MULHERES SAUDITAS

30/01/2012


As mulheres perfazem 45% da população da Arábia Saudita, mas, e apesar de controlarem 9,3 mil milhões de euros, é-lhes vedado o acesso a coisas que no Ocidente tomamos como garantidas: não votam nem podem conduzir e precisam de autorização escrita de um homem (geralmente o pai ou marido) para viajar para o estrangeiro ou para abrir um negócio. Daí que não seja grande surpresa que sejam caricaturadas como sombras sem cara e sem voz, pessoas que entregam o controlo sobre o seu destino. Fui convidado para este mundo, quase sempre vedado a estranhos e considerado impenetrável, e a levantar a abaya e o niqab de forma a conhecer as mulheres que o véu esconde.


Fawzia Akhdar, reformada do ministério da educação. “A mulher saudita é ministra, juíza, líder e mãe. Abana o mundo com uma mão e embala o filho com a outra como disse Napoleão. A maior parte do mundo não a vê assim porque a mulher saudita se cobre com o hijab e deduzem que é oprimida. Mas o contrário também é verdade. A mulher saudita é como outra mulher qualquer, talvez até mais forte porque tem que lutar o dobro.”


Najat Bager, antiga directora de uma escola. Hoje escreve para vários jornais e publicações online. “Os ocidentais deviam mudar a maneira como nos tratam nos média. Têm que escrever a verdade sobre as mulheres sauditas e não se centrarem apenas nos maus exemplos. Temos mulheres a trabalhar como directoras na televisão, editoras nos jornais. Não é como antigamente.”


Salwa Shaker, locutora de rádio. “Quando comecei a trabalhar como locutora podia-se contar quantas éramos com os dedos de uma mão — umas três ou quatro, talvez —, agora somos mais de 20. O que importa é que o rei e o governo tenham dado prioridade ao desenvolvimento das capacidades humanas, sejam elas de homens ou mulheres.”


Faima Almotawa, estagiária em medicina dentária. “O mundo devia saber que nós não vivemos num deserto e não andamos de camelo. As nossas mulheres não são escravas domésticas. Nós trabalhamos, estudamos e decidimos o nosso próprio caminho. Os nossos desafios nunca tiveram a ver com o governo, mas com a cultura saudita. As pessoas não conseguem aceitar que as mulheres estejam ao mesmo nível que os homens. Ou, pelo menos, não conseguiam até agora.”


Deema Barghouthi, terapeuta da fala. “As mulheres sauditas são como qualquer outra mulher no mundo. São boas esposas, ternurentas para os filhos e ambiciosas. Queremos aprender e ter uma educação melhor para servir o nosso país.”


TEXTO E FOTOGRAFIA POR ZIYAH GAFIC


TIRAR FOTOS COM UM SKATE NÃO É O MESMO QUE SER SKATER

30/01/2012



Todas as semanas caímos em cima de um cliché fotográfico diferente. Desta vez: aquela foto que tiraste à gaja gira (ou gajo que se parece meio com uma gaja) em cima, ao lado ou a segurar uma tábua apesar de claramente não ser skater. Não é o pior cliché fotográfico do mundo porque até rende fantasiar com gajas giras a shreddar, mas se amanhã desaparecesse de vez ninguém sentiria saudades. Sabem o que é melhor do que a mera sugestão de uma gaja gira saber andar de skate? Uma gaja gira que SABE andar de skate.






















POR EQUIPA VICE