CHEIREM O SANGUE DESTES WRESTLERS



Aguarelas e lutadores semi pelados? Não nos parecem ser coisas que possam combinar. Felizmente o Patrick mostrou-nos que estávamos enganados. Realmente não há nada que a arte contemporânea não faça como nos prova a série Smell the Blood, uma provocante justaposição entre homo-erotismo, cultura popular e virtuosismo técnico. Trocámos dois dedos de conversa com o autor por email.

VICE: Gosto muito das tuas pinturas. Fala-nos um bocadinho sobre elas.
Patrick Krzyzanowski: Obrigado! Estas pinturas começam como colagens digitais no Photoshop. A partir daí pinto uma aguarela numa escala mais pequena. Parte do processo de colagem é assegurar que o trabalho final fique irreconhecível em relação ao material original que uso como ponto de partida. Não quero que alguém que faça uma procura por imagens de wrestling reconheça o meu trabalho.

Trabalhas sempre com temas pop culturais?
Sim, o meu trabalho é muito apoiado na cultura pop, ainda que seja mais do que isso. Quero fazer arte honesta, tentar fazer outra coisa não ia resultar porque não me interesso muito por política, por exemplo. Prefiro trabalhar mais com coisas de que gosto e que me interessam desde que era miúdo: wrestling, desporto e heavy metal.



Foi por isso que escolheste o wrestling?
O wrestling professional é multi-facetado e complexo. A minha razão para desenhar e pintar lutadores de wrestling tem mudado desde o início do trabalho. Originalmente começou por ser uma coisa muito superficial: explorar a ideia de homens musculados que influenciaram os meus primeiros desenhos homo-eróticos. Não tenho problemas em admitir que me tornei um fã de wrestling. Este trabalho pretende reflectir sobre o elemento performativo do wrestling: coreografias, personalidades e roupas.

Já levaste com uma cadeira na cabeça?
Já levei com muita coisa na cabeça e também já dei na cabeça a muita gente com muita coisa, mas infelizmente uma cadeira nunca esteve incluída.





O nome desta exposição é Smell the Blood. Grande titulo. É uma piada privada?
Ahah, sim, mas não é assim muito boa. Estava a fazer uma residência artística na School of Visual Arts de Nova Iorque, aqui há dois anos, e ouvi um crítico de arte a fechar a sua palestra dizendo para não nos darmos ao trabalho de o convidar para as nossas exposições porque, segundo ele, tanto ele como os outros críticos de arte são capazes de cheirar o sangue na água como tubarões. Escusado será dizer que o meu sangue nunca foi cheirado.

Não sou grande fã de wrestling, mas reconheço algumas caras nas tuas pinturas. O que eu gosto mais no teu trabalho é que não é abstracto. É fácil de perceber, como acontece com quase toda a arte pop. O que achas disso?
Todos os corpos que vês nas minhas pinturas são referências directas a lutadores de wrestling reais, mas estão misturados tipo Frankstenstein. Infelizmente perdi a habilidade de desenhar de cabeça. Invejo muito quem tem essa capacidade. Sinto que o meu trabalho é bastante acessível, como acontece com a maior parte dos trabalhos realistas. É bom saber que alguém que normalmente não está muito virado para as aguarelas aprecia este trabalho porque incluímos o seu treinador de beisebol favorito — isto aconteceu mesmo. Dito isto, adoro trabalhos mais abstractos, minimalistas ou conceptuais. São só mais difíceis de fazer!



Qual é o teu filme, videojogo e livro favorito?
Filme: Jurassic Park
Videojogo: os antigos da Lucas Arts e o jogos de aventura da Sierra.
Livro: Confederacy of Dunces do John Kennedy Toole

O que é que fazes quando não estás a pintar?
Trabalho como assistente de estúdio do Nicholas Di Genova durante o dia e lavo copos num bar à noite. Quando não estou a trabalhar ou a pintar passo o tempo com a minha namorada e amigos. Só cenas normais, desculpa.

Gostava de comprar um desses quadros. Quanto custa?
Depende do quadro e da tua colecção de cassetes de heavy metal.


ENTREVISTA POR DAVID PINHEIRO SILVA
ILUSTRAÇÃO POR PATRICK KRZYZANOWSKI



13/10/2011 at 16:52
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