VICELAND HOJE - 01/2011



O ESTILO DOS ASSASSINOS EM SÉRIE

31/01/2011



Morrer assassinado por um serial killer está no topo da lista de maneiras embaraçosas de se ir desta para melhor. Mas como é que se pode evitar este tipo de morte? Grande parte das vezes, os assassinos em massa mais assustadores têm ar de ser as pessoas mais simpáticas à face da terra. Aqui ficam alguns estilos que deves ter em conta quando estiveres a fazer novos amigos para evitar que acabes por te tornar naquela cabeça decepada que apareceu no jornal da noite.

Jeffrey Dahmer

O Dahmer faz parte da pior espécie de assassinos: aqueles capazes de usar a sua boa aparência de forma atrair as vítimas para as suas mortes prematuras. Apanhava homens que andavam à boleia, torturava-os, tinha relações com os cadáveres e depois cortava-os em pedacinhos e comia-os para o jantar. Bastante macabro, sim, mas olhem só para ele! Como é que alguém pode saber que está prestes a morrer quando se olha para uma carinha de anjo como aquela? Na verdade, é bastante fácil. O segredo está nos óculos de sol e na ganga. É certo e sabido que só os idiotas é que usam óculos de aviador, e esses eram o modelo preferido do Dahmer. Outra pista óbvia é as calças de ganga coçadas, a condizer com o casaco de ganga — aquilo a que se chama o tuxedo canadiano ou mexicano. Agora juntem isso a uma camisa às riscas, falinhas mansas, uma carinha de bebé e o resultado é um pervertido com uma mente doentia.

John Wayne Gacy

A maioria das pessoas, quando ouve a expressão serial killer, pensa imediatamente no John Wayne Gacy. Gacy era um gordo nojento preguiçoso que gostava de se vestir de palhaço. Só a parte do palhaço já devia servir de aviso suficiente, por isso a dica número um é: põe-te te a milhas dos palhaços porque eles são criaturas diabólicas. Gacy também usava bigode. Não estamos com isto a querer dizer que toda a gente que tem bigode anda por aí a molestar miúdos, mas o Hitler tinha bigode, por isso mais vale ter cuidado nas situações em que há pelos por cima do lábio superior. Quando não estava vestido com macacões às cores e um nariz vermelho, tinha uma predilecção por camisas de manga curta brancas e calças de velho, tipo aquelas calças cinzentas ou castanhas que os avós usam sempre.

David Berkowitz

Berkowitz, ou “o Filho de Sam”, é aquele tipo de assassino de toda a gente precisa de ter medo. Este gajo não matava apenas porque lhe apetecia, matava porque estava a “seguir ordens”. Mas não era seguir ordens ao estilo da família Manson, era mais ouvir vozes demoníacas que vinham do cão do vizinho. Por isso, se tiveres o azar de ter encontrares com algum assassino como o Berkowitz, nem te vale a pena tentar negociar, porque ele tem mesmo de te matar. Felizmente, a maioria dos psicopatas deste género têm um ar um bocado retardado e o cabelo sempre nojento, por isso basta que se mantenham afastados de gajos com penteados horríveis e camisolas de cavas justinhas e todas engorduradas enfiadas para dentro das calças.

Charles Manson

Na verdade, o Manson não matou ninguém, mas foi condenado por fazer lavagens cerebrais aos seus seguidores e mandá-los cometer crimes em vez dele, por isso conta na mesma como assassino em massa. O facto de não ter feito mal a ninguém fisicamente só o torna ainda mais perigoso, uma vez que se utilizou o seu carisma e a sua astúcia para conseguir tudo aquilo que queria sem ter sequer de mexer sequer um dedo. Não é muito fácil distinguir indivíduos como o Manson, porque o look dele é o mesmo dos artistas pseudo-intelectuais que costumam andar nas redondezas das escolas de artes: calças de ganga justas e coçadas, camisas de manga comprida, botas de cabedal, coletes, colares, pulseiras, desde que seja vintage, serve. Também costumam usar o cabelo comprido e despenteado, como quem acabou de sair da cama, barba por fazer, andam com guitarras ao ombro e fazem muito ioga. Basicamente, se alguma vez virem um gajo parecido com o Devendra Banhart rodeado de miúdas giras a vir na vossa direcção, fujam.

Richard Ramirez

O Ramirez é um assassino completamente deprimente. Quando era novo era um mexicano andrógino bonitão, que ouvia metal e dormia em cemitérios. Depois, começou a dar na coca, caíram-lhe os dentes e deu-lhe para perseguir miúdas assim à toda para depois as assassinar. Era conhecido por cometer os crimes vestido todo de preto, com um boné de beisebol e óculos de aviador. Toda a gente sabe que se deve sempre fugir quando se está a ser perseguido, mas se esse tal perseguidor estiver todo vestido de preto e tiver um pentagrama gravado na barriga, o incentivo para dar de frosques é ainda maior.

Ted Bundy

O Bundy é o melhor exemplo que há de um assassino de primeira. Ao contrário da maioria dos outros gajos que discutimos acima, o Bundy só matava mulheres, mas, tal como o Dahmer, também gostava de ter relações sexuais com os cadáveres delas. Estudou psicologia e direito e tinha uma grande afinidade por camisolas de gola alta e blazers. Só essa combinação de roupa faz com que ele seja o alvo final. Infelizmente, há muita gente nojenta por aí com ar de professor universitário, bem vestidos e bem penteados, por isso, o melhor mesmo é manterem-se afastados de todos os gajos que pareçam odiar mulheres, especialmente se tiverem uma monocelha, como o Ted Bundy e o Charles Manson.


ANNETTE LAMOTHE RAMOS


DIGAM-NOS QUE O BREAKBOARD NÃO É VERDADE

31/01/2011




Esta cena deixou-nos bastante confusos. É um skate com uma placa giratória colada em cima e é suposto utilizar-se para fazer exercícios de breakdance. Estamos mesmo perdidos. Isto é uma daquelas coisas que é tão parva que não pode ser verdade, ou então é tão parva que só pode mesmo ser verdade. Vamos lá ver.

Razões que nos levam a crer que é a gozar:

- O ambiente dos anos 80 que se sente no vídeo, apesar de só ter sido posto no YouTube há uns meses atrás.

- O vídeo afirmar que fazer breakboarding “estimula a vossa imaginação.”

- O apresentador com um ar estranho dizer que “dá para fazer de b-boy em cima disto.”

- Uma gaja asiática tão boa nunca na vida se daria com o gajo que inventou esta merda, muito menos se envolveria na sua campanha de marketing.

- No vídeo dizem que o Michael Jackson fazia parte da equipa de breakboarding deles.

Razões que nos levam a crer que é verdade:

- O motivo pelo qual o Jessie (o “inventor”) diz que o Michael Jackson fazia parte da equipa deve-se a este e-mail que o Jeffrey Daniel (um gajo que costumava aparecer no Soul Train e que ensinou alguns moves ao Jacko) lhe escreveu em Março do ano passado.

- É um produto patenteado.

- Depois de termos feito alguma pesquisa, temos quase a certeza de que é fabricado por estes DJs de casamentos. Aqui fica o vídeo de um deles a “fazer a cena dele.”

- O site deles é exactamente aquilo que se pode esperar do tipo de pessoas que se lembraria de inventar o BreakBoard.

- Os skates já deram origens a imensas cenas ridículas. Alguém se recorda dos Snakeboards?

Desistimos de tentar adivinhar. Digam vocês de vossa justiça.




EQUIPA VICE


AINDA SE QUEIMAM SOUTIENS?

28/01/2011




Dantes, achava que só as pessoas que viviam em países como o Irão e a Somália é que ainda tinham motivos para se converter ao feminismo. Até que, há uns dias, a minha mãe perguntou-me se me tinha esquecido de engomar a camisa do meu namorado, que, aparentemente, estava um bocado amarrotada. Quando a minha única resposta foi partir-me a rir na cara dela, ela olhou para mim completamente horrorizada e desatou a gritar: “O QUÊ? TU DEIXAS O POBRE RAPAZ PASSAR AS CAMISAS DELE? NÃO FOI ASSIM QUE EU TE CRIEI!!!” Assim, apercebi-me que ainda existem imensas razões para utilizar a palavra F, mesmo no mundo ocidental.

Pouco tempo depois, a Tavi “Espectacular” Gevinson publicou algumas fotografias dela a usar uma camiolsa com a palavra ‘feminista’ bordada.

Ao que parece, foi a Kathleen Hanna, heroína da Tavi e vocalista das Bikini Kill, que lhe ofereceu a camisola que despoletou a minha busca por mais peças feministas fantásticas. Tal eu achava, os tempos dos soutiens queimados acabaram-se!

Bem, se calhar não. Uma rapariga chamada Georgina Santi fabrica vestidos e malas feitas de soutiens queimados.

E quando achava que o feminismo não podia ser levado mais literalmente, encontrei isto. A artista feminista Diane Arriete, da Flórida, criou este vestido com pequenos fetos em plástico. A parte inferior é feita de cabides, uma lembrança súbtil do que acontece aos fetos quando o aborto não é uma opção. E tudo isto pode ser teu por apenas 875€.

A Hannah Howard criou esta t-shirt que diz “visible feminist”. O tutu representa os sonhos de infância das meninas. “É um símbolo da ambição do desejo infantil de sermos bailarina/presidente/rainha/princesa/astronauta/veterinária quando crescermos. Também representa a luta das mulheres de cor por serem vistas e reconhecidas como mulher.” Está bem, então.

No caso de te estares a questionar porque é que este vestidinho preto tem desenhado um gajo preto com cabeça de Pequeno Pónei, calças skinny e uma corda de saltar, a resposta é: porque este é o “Homem Ideal”, segundo Hope Perkins, a designer da peça. Ela desenhou um homem que cozinha, limpa, tem os abdominais completamente delineados, tatuagens e o coração de um pónei em miniatura. E porque é óbvio que uma criatura assim não existe em lado nenhum, esta peça simboliza as expectativas irrealistas que os homens têm das mulheres.

Não existem dúvidas, esta é uma das melhores citações que já saiu da boca de um Republicano temente a Deus, o que é dizer bastante, porque essas pessoas costumam ser muito boas quando se trata de dizer porcaria. Confunde-me um bocado o facto do nome deste gajo ser igual parecido com o nome do R-patz.

Esta t-shirt é um clássico que já se tornou cliché. Mas por 15€ podem comprar uma em cor-de-rosa toda janota.

Este vaso feito com sapatos de estrela porno simboliza o quão difícil é ser mulher. Foi feito por alguém que se apelida de Giddyspinster no Etsy. Tão poético.

Os nossos amigos da Vice francesa mostraram-nos estas pérolas, há uns tempos atrás. Podem enviar uma fotografia dos vossos genitais a uma artista chamada Vulva Love Lovely, que ela mete mãos à obra para vos recordar de que a feminilidade é algo de muito bonito.

Não faço ideia se ainda há alguém a usar pins, mas ainda assim fiz uma compilação dos pins feministas mais bonitos que consegui encontrar na internet.

Não sei explicar o porquê ao certo, mas isto é uma das coisas mais lésbicas que já vi.

Nesta fonte interminável de tretas que é o Etsy, é comum enfiar-se um pedaço de metal em literalmente qualquer objecto e vendê-lo como brincos. Este destino cruel também afligiu o simbolo do feminismo por excelência, o We Can Do It, que pode ser teu por apenas 5$.

Outro achado do Etsy (obviamente): o colar Scrabble. Os pontos que se ganham com as letras deixam é um bocado a desejar.

E para sublinhar a minha conclusão de que a moda para feministas não tem ponta de subtileza, aqui está um colar inspirado por quem tem “telhados de vidro”. Bem, vou mas é passar as camisas do meu namorado a ferro. Adeus!


NATHALIE WOUTERS


OLHA MÃE, SOU ESTRANHO!

28/01/2011


FOTOGRAFIA POR CHUS ANTON
STYLING POR ANA MURILLO
MAQUILHAGEM POR RAFIT NOY, PARA A MAC
CABELOS POR ISABEL XIMENIS
ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: LORENA QUINTANA
ASSISTENTE DE STYLING: TXUS SÁNCHEZ
MODELOS: ANNA FATH DA UNO MODELS, JONAS WALDELIUS

T-shirt Cruz Castillo

Top e Saia Dark Lights, saia Le Swing, óculos Dark Lights

Vestido Cruz Castillo

Vestido Le Swing, estola EL DELGADO BUIL

Saia Le Swing, sapatos Luis Manteiga shoes; saia Le Swing

Calças e soutien AMERICAN PEREZ, estola EL DELGADO BUIL


PIZZA E BOLACHAS, FINALMENTE JUNTAS!

27/01/2011


Em resposta aos desejos dos diabéticos incorrigíveis em todo o mundo, a marca de pizzas DiGiorno apresentou recentemente ao mundo um dos produtos congelados mais espantosos/bizarros que alguma vez figurou nas prateleiras dos supermercados americanos: Pizza e Bolachas DiGiorno. Ou seja, uma pizza de pepperoni e um tubo de massa para bolochas da marca Toolhouse, tudo na mesma caixa! Tal como diz o The Consumerist, isto representa um ponto de viragem na obesidade americana. O The Consumerist diz igualmente:

“A marca vai também lançar uma Pizza Três Carnes e uma embalagem de “Azas” de Frango Sem Osso, o que, de certa forma, parece menos ofensivo. Apesar de ser necessário mencionar que as “Azas” deviam ter um asterisco à frente, uma vez que, tecnicamente, a caixa diz que são “fritos de carne branca de galinha.”

Mas como raio é que estes gajos se lembraram de pôr bolachas numa embalagem de pizza, perguntam vocês? Bem, a Nestlé é dona da marca DiGiorno e, recentemente, comprou a marca Toll House à Kraft. Os vossos enfartes do miocárdio são a sinergia corporativa deles.”

TEXTO POR EQUIPA VBS


TALIBÃS NO PAQUISTÃO

27/01/2011


Numa visita recente ao Paquistão com o objectivo de relatar o aumento recente de violência e carnificina na região, Suroosh Alvi foi frequentemente confrontado com o mesmo sentimento de descontentamento por parte das pessoas que lá estão: a guerra ao terrorismo americana está a ser um grande fracasso.

O conflito militar no vizinho Afeganistão, repetidamente mencionado pelos habitantes locais, envia um fluxo constante de armas, refugiados, militares e heroína através das fronteiras paquistanesas. Actualmente, comprar heroína em cidades como Lahora fica mais barato do que comprar haxixe, e a cultura Kalashnikov, a base daquilo que foi criado há 30 anos atrás, quando a CIA financiou os mujahidin (”guerreiros santos”), é devastadora. Segundo os paquistaneses com quem Suroosh falou, tudo isso trouxe consequências terríveis ao país e está a criar uma nova geração de militantes. Vejam mais em VBS.TV ou aqui em baixo:


VELHOS JOGOS DE ARCADE

27/01/2011

ENTRE O ESTRANHO, O SEMI-PORCO E O PORCO


Houve um tempo em que os computadores caseiros e as primeiras consolas não eram capazes de competir com a tecnologia oferecida pelas máquinas dos salões de jogos. Agora qualquer puto com uma Playstation 3 parte-se a rir com os gráficos dessas máquinas, que eram verdadeiros mealheiros para chapas de 50 paus. Clássicos, como o “Bubble Bobble” ou o “Ghosts n’ Goblins”, ainda hoje são capazes de impor respeito, mas existem outros muito mais obscuros que estão mesmo a jeito para ser gozados. A Vice meteu as mãos num emulador Mame (bonito) e revisitou alguns dos jogos que mancharam a idade dourada do árcade.


A Cláudia Raia chinesa num jogo de matracas

O Nunchackun foi lançado pela toda-poderosa Taito, em 1985. A imagem de entrada promete qualquer coisa, mas o jogo em si é apenas uma imitação ranhosa do clássico Kung-fu Master, com uma chavala no lugar do karateka. Um executivo qualquer da Taito deve ter entendido que uma protagonista feminina atraíria mais miúdas para os jogos de porrada. Foi por esse mesmo motivo que, mais tarde, a Chun-li foi incluída nos bonecos disponíveis no “Street Fighter II”. A Chun-li é fraquinha.


Não ajustem as cores dos vossos monitores, esta merda é mesmo assim.

O Jungle Hunt foi lançado pela Taito nos Estados Unidos, em 1982, e teve uma versão brasileira um ano depois. As duas máquinas são equivalentes, à excepção de que o herói na versão brasileira é muito mais parecido com o Kid Bengala, com o seu disfarce de Tarzan. O Jungle Hunt decorre num cenário tropical-apocalíptico, que podia muito bem ser adaptado para cinema pelo Mel Gibson. Adorava poder ouvir crocodilos a falar aramaico. Aqui fica um espécime das cores psicadélicas que a Taito escolheu para o jogo. Certa vez, um amigo meu ligou-me de Benidorm e descreveu-me a praia mais ou menos assim.

pequeno_almoco_do_bryan_ferry_no_algarve
O pequeno almoço do Bryan Ferry no Algarve.

O Splash! é um jogo ridículo cujo objectivo passa por esfregar o pincel (passamos a expressão) por 86% da superfície oculta do quadro, até surgir a fotografia de uma ou mais mulheres nuas (conforme ilustrado). A tarefa é dificultada por umas bolinhas de sabão que saltam por ali. Um jogo de “esquiva & despe” traz sempre os seus benefícios, mas este é demasiado mau para merecer tanta paciência.


Viva a diversidade cultural

O Miss World Nude’06 não funciona neste emulador, mas a imagem de entrada revela o essencial sobre isto tipo de jogos: seis mulheres semi-nuas pixelizadas e à procura de muita chapa gasta por gajos rebarbados.


Uma Brigitte Nielsen pixelizada a brincar com o gatinho

Não faço ideia de que jogo retirei esta imagem, mas gostava de saber.


O morto mais rentável do mundo
Jogar o Moonwalker, depois de tudo o que se sabe hoje, pode ser uma experiência assustadora. O jogo é baseado no filme homónimo, que colava uma série de momentos musicais, de modo a erguer uma espécie de monumento ao rei da pop, Michael Jackson. Todo o projecto tresandava a megalomania da pior espécie e parece que o filme não deixou muitas saudades. No jogo, as coisas tornam-se especialmente confusas, quando surgem uns miúdos a gritar “Help!” e nunca sabemos ao certo se pedem socorro ao Michael Jackson para serem salvos dos muito rufias, ou se, pelo contrário, estarão a pedir ajuda aos rufias para serem salvos do Michael Jackson. O tempo subverteu o objectivo deste jogo e registei um momento em que o Jacko está em apuros (ali no centro). A cena mais patética do jogo dá-se quando activamos o especial e todos os inimigos dançam o “Moonwalker” com o Michael Jackson. Na versão espanhola suponho que dancem a Macarena. Também não é fácil ouvir o riff de “Smooth Criminal” duzentas vezes seguidas.


Cena cortada do Lost in Translatio logo depois de eles cantarem no karaoke.

Descobri este jogo num café, durante umas férias perto do Gerês, quando tinha 9 ou 10 anos. É um simulador de snooker em que as bonecas se despem conforme a perícia do jogador. Um resultado medíocre vale um biquíni. Um high score vale nudez e uma coroazinha de “Champion” (a recompensa mais importante, claro). O nome do jogo é Pocket Gal. Sempre achei que o balãozinho dizia “Tenho frio”, mas fiquei a saber mais tarde que diz “Estou disponível esta noite”. Acho que ela te deseja.


Senhora virtualmente vestida pela Bershka
É frustrante que muitos dos videojogos mais quentes vindos do Japão exijam habilidade nesse divertimento imbecil que é o Mahjong. A lógica destes jogos diz-me que esta tesuda de 16-bits iria despir a roupa com o avançar dos níveis. Assim, ficamos só com um cheirinho do que nunca chega a acontecer.


Algumas raparigas são menos virtuais que outras
Deus abençoe os menus iniciais dos jogos de Mahjong. A Nichibutsu teve o seu reinado de máquinas um bocado cabrescas no final da década de oitenta, mas este Bijokko Yume Monogatari pode muito bem ser o Double Dragon dos jogos de gajas nuas. Reparem bem no contraste entre os rostos das damas virtuais e o da modelo barata apresentada em carne e osso. A tailandesa, que parece o gajo do “Eraserhead”, dá sinais de estar animada com a ideia de se despir para um japonês divorciado com pouco menos de 40 anos e um problema de calvice. As outras estão com cara de quem preferia estar no “Street Fighter II” a serem electrocutadas pelo Blanka. Existe algo de extremamente errado com este jogo.


Nem sei como hei de legendar isto

É preciso estar na merda para investir no strip-tease desta gaja.


VELHOS JOGOS DE ARCADE

27/01/2011

ENTRE O ESTRANHO, O SEMI-PORCO E O PORCO

Houve um tempo em que os computadores caseiros e as primeiras consolas não eram capazes de competir com a tecnologia oferecida pelas máquinas dos salões de jogos. Agora qualquer puto com uma Playstation 3 parte-se a rir com os gráficos dessas máquinas, que eram verdadeiros mealheiros para chapas de 50 paus. Clássicos, como o Bubble Bobble ou o Ghosts ‘n’ Goblins, ainda hoje são capazes de impor respeito, mas existem outros muito mais obscuros que estão mesmo a jeito para ser gozados. A Vice meteu as mãos num emulador Mame (bonito) e revisitou alguns dos jogos que mancharam a idade dourada do arcade.

A Cláudia Raia chinesa num jogo de matracas.

O Nunchackun foi lançado pela toda-poderosa Taito, em 1985. A imagem de entrada promete qualquer coisa, mas o jogo em si é apenas uma imitação ranhosa do clássico Kung-fu Master, com uma chavala no lugar do karateka. Um executivo qualquer da Taito deve ter entendido que uma protagonista feminina atraíria mais miúdas para os jogos de porrada. Foi por esse mesmo motivo que, mais tarde, a Chun-li foi incluída nos bonecos disponíveis no “Street Fighter II”. A Chun-li é fraquinha.

Não ajustem as cores dos vossos monitores, esta merda é mesmo assim.

O Jungle Hunt foi lançado pela Taito nos Estados Unidos, em 1982, e teve uma versão brasileira um ano depois. As duas máquinas são equivalentes, à excepção de que o herói na versão brasileira é muito mais parecido com o Kid Bengala, com o seu disfarce de Tarzan. O Jungle Hunt decorre num cenário tropical-apocalíptico, que podia muito bem ser adaptado para cinema pelo Mel Gibson. Adorava poder ouvir crocodilos a falar aramaico. Aqui fica um espécime das cores psicadélicas que a Taito escolheu para o jogo. Certa vez, um amigo meu ligou-me de Benidorm e descreveu-me a praia mais ou menos assim.

pequeno_almoco_do_bryan_ferry_no_algarve

O pequeno almoço do Bryan Ferry no Algarve.

O Splash! é um jogo ridículo cujo objectivo passa por esfregar o pincel (passamos a expressão) por 86% da superfície oculta do quadro, até surgir a fotografia de uma ou mais mulheres nuas (conforme ilustrado). A tarefa é dificultada por umas bolinhas de sabão que saltam por ali. Um jogo de “esquiva & despe” traz sempre os seus benefícios, mas este é demasiado mau para merecer tanta paciência.

Viva a diversidade cultural!

O Miss World Nude’06 não funciona neste emulador, mas a imagem de entrada revela o essencial sobre isto tipo de jogos: seis mulheres semi-nuas pixelizadas e à procura de muita chapa gasta por gajos rebarbados.

Uma Brigitte Nielsen pixelizada a brincar com o gatinho.

Não faço ideia de que jogo retirei esta imagem, mas gostava de saber.

O morto mais rentável do mundo.

Jogar o Moonwalker, depois de tudo o que se sabe hoje, pode ser uma experiência assustadora. O jogo é baseado no filme homónimo, que colava uma série de momentos musicais, de modo a erguer uma espécie de monumento ao rei da pop, Michael Jackson. Todo o projecto tresandava a megalomania da pior espécie e parece que o filme não deixou muitas saudades. No jogo, as coisas tornam-se especialmente confusas, quando surgem uns miúdos a gritar “Help!” e nunca sabemos ao certo se pedem socorro ao Michael Jackson para serem salvos dos muito rufias, ou se, pelo contrário, estarão a pedir ajuda aos rufias para serem salvos do Michael Jackson. O tempo subverteu o objectivo deste jogo e registei um momento em que o Jacko está em apuros (ali no centro). A cena mais patética do jogo dá-se quando activamos o especial e todos os inimigos dançam o “Moonwalker” com o Michael Jackson. Na versão espanhola suponho que dancem a Macarena. Também não é fácil ouvir o riff de “Smooth Criminal” duzentas vezes seguidas.

Cena cortada do Lost in Translation logo depois de eles cantarem no karaoke.

Descobri este jogo num café, durante umas férias perto do Gerês, quando tinha 9 ou 10 anos. É um simulador de snooker em que as bonecas se despem conforme a perícia do jogador. Um resultado medíocre vale um biquíni. Um high score vale nudez e uma coroazinha de “Champion” (a recompensa mais importante, claro). O nome do jogo é Pocket Gal. Sempre achei que o balãozinho dizia “Tenho frio”, mas fiquei a saber mais tarde que diz “Estou disponível esta noite”. Acho que ela te deseja.

Senhora com bracinhos deficientes virtualmente vestida pela Bershka.

É frustrante que muitos dos videojogos mais quentes vindos do Japão exijam habilidade nesse divertimento imbecil que é o Mahjong. A lógica destes jogos diz-me que esta tesuda de 16-bits iria despir a roupa com o avançar dos níveis. Assim, ficamos só com um cheirinho do que nunca chega a acontecer.

Algumas raparigas são menos virtuais que outras.

Deus abençoe os menus iniciais dos jogos de Mahjohng. A Nichibutsu teve o seu reinado de máquinas um bocado cabrescas no final da década de oitenta, mas este Bijokko Yume Monogatari pode muito bem ser o Double Dragon dos jogos de gajas nuas. Reparem bem no contraste entre os rostos das damas virtuais e o da modelo barata apresentada em carne e osso. A tailandesa, que parece o gajo do “Eraserhead”, dá sinais de estar animada com a ideia de se despir para um japonês divorciado com pouco menos de 40 anos e um problema de calvície. As outras estão com cara de quem preferia estar no “Street Fighter II” a serem electrocutadas pelo Blanka. Existe algo de extremamente errado com este jogo.

Nem sei como hei de legendar isto.

É preciso estar na merda para investir no strip-tease desta gaja.


TEXTO POR MIGUEL ARSÉNIO


KISS IT GOODBYE

26/01/2011


Reily Hodgson fotografa na sua pequena cidade suburbana, nos arredores de Toronto, enquanto se diverte a fumar montes de erva com putos do secundário e a brincar com cobras venenosas. Estas fotos foram retiradas da sua mais recente zine. Se quiserem comprar uma cópia, podem fazê-lo aqui.




FOTOGRAFIA POR REILY HODGSON


PINTURAS DA INTERNET

24/01/2011




A Internet é feita de coisas que caem rapidamente no esquecimento.

Esta podia ser a razão pela qual Enda O’Donoghue, artista irlandês residente na Alemanha, se dedicou a imortalizar esses momentos através da pintura. As fotografias que escolhe para reproduzir em quadros são sempre de terceiros, regularmente descobertas por entre as redes sociais e blogues mais famosos e tendem a confundir-se com o lixo visual, que graças à enorme quantidade de câmaras e telemóveis que tiram fotografias, colocamos online e raramente voltamos a consultar.

O’Donoghue procura inclusive descobrir a proveniência das imagens, tentando encontrar quem as colocou online para lhes pedir permissão de utilização, o que vai de encontro a uma abordagem correcta dos direitos de autor sobre publicações online e, desta forma, contraria também o cariz anónimo da Internet.

Quando pinta, O’Donoghue divide as imagens em secções para lhes conferir um quanto de aleatoridade e incorporar a essência da origens das imagens: a Internet. É quase como uma “repixalização” da realidade.

No site Triangulation encontram mais informação sobre o processo, incluindo um vídeo demonstrativo.

Grande parte do meu trabalho foi influenciado pelos três anos em que estudei Programação de Computadores e também pelos trabalhos que realizei nas áreas de web design, web development, edição de vídeo, marketing online, entre outros tipos de trabalhos relacionados com internet e media. Isto tudo influencia não só as imagens que escolho e a fonte onde decido ir buscá-las, mas também o processo que desenvolvi para as pintar.

“In the Elevator”, por Enda O’Donoghue.



A foto original foi encontrada num site de partilha de imagens. Tal como o resto do meu trabalho mais recente, é baseada em fotos tiradas por outras pessoas, que vou encontrando na Internet. Possuo uma colecção considerável de imagens, categorizadas e catalogadas por mim. Quando encontro uma que gostaria de reproduzir, tento entrar em contacto com o fotógrafo original e pedir a sua permissão para usar a fotografia. Na maior parte das vezes, ficam completamente surpreendidos, pois não estou propriamente a pedir uma das suas “melhores” fotos, aliás, na maior parte das vezes, consideram que gosto da pior. Quando acabo um quadro, faço questão de enviar uma fotografia ao fotógrafo original, o que acaba por trazer a imagem, de certa forma, de volta à sua origem…

Chandra Marsono e a sua fotografia transformada em quadro.

No futuro a maior parte dos quadros poderá ser assim – não naturezas-mortas, mas “internetes-mortas”.