VICELAND HOJE - 09/2010



RAPAZES E RAPARIGAS A FLUTUAR NO ESPAÇO

30/09/2010

FOTOGRAFIA POR JONNIE CRAIG
STYLING POR ALDENE JOHNSON
Assistente ao Styling: Lola Okuyiga
Modelos: Pete, Melissa e Izzy

147top K-Swiss e cuecas Calvin Klein

226top Sass & Bide e cuecas Calvin Klein

310calções Dickies

412calções 55DSL

515calções Dickies

69top K-Swiss


HELLO TITTY

30/09/2010

BOLINHOS FEITOS COM LEITE HUMANO SÃO IGUARIAS MATERNAS

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Há uns tempos atrás, a PETA apareceu na secção de notícias bizarras por sugerir que a Ben&Jerry’s [fabricante americano de cupcakes] alegadamente usava leite humano, como aquele que as vossas mães vos deram directamente do peito delas(!), em vez de leite de vaca. Que loucos! Que ideia mais absurda! ERRADO. De facto, o leite humano é mais saudável que o leite de vaca.

No caso de ainda estarem com dúvidas quanto a beber leite “de la teta”, forçámos o nosso amigo Patrick a fazer uma degustação: bolinhos de leite humano vs. um bolinho normal feito com o tradicional leite de vaca. Ele estava meio hesitante, mas nós estávamos tipo, “aguenta, pá!” E continuámos: “não achas estranho que os humanos sejam os únicos mamíferos que continuam a beber leite enquanto adultos? E nem sequer é o nosso próprio leite, mas o fluido de uma espécie completamente diferente. Já pensaste no facto dos nossos estômagos se terem adaptado para podermos digerir leite bovino, ó Caixa d’Óculos?”

E o Patrick disse: “vamos comer esses bolinhos, por amor de Deus!” Depois de mastigar silenciosamente durante alguns minutos, ele sussurrou: “eu… Eu não consigo notar a diferença”. Mas nós explicámos: “não, tens que escolher um.” Então ele levantou o bolinho que estava na sua mão direita e proclamou: “este aqui é um bocadinho mais saboroso.” E adivinhem, era o bolinho peitinho! O leite humano ganhou oficialmente!

E para o caso de, ainda assim, continuarem com dúvidas, encontrámos e entrevistámos um ESPECIALISTA-EM-LEITE-HUMANO que confirmou o que já sabíamos: somos mais inteligentes que vocês.


Vice: Olá, Elisabeth Kylberg, nutricionista e especialista em leite humano. É possível que os adultos tirem benefícios ao tomar leite humano, como os bebés?
Elisabeth Kylberg: Acho que adultos não deveriam beber leite nenhum, seja humano ou de vaca. É comida para bebés. Queijo e iogurte, por outro lado, são bons para nós. Em todo o caso, quanto mais as mulheres amamentarem, menor risco correm de desenvolver cancro da mama e do ovário. Não ficaria surprendida se o leite humano um dia fosse usado como uma forma de remédio – foi provado que é um líquido capaz de matar o cancro mesmo sem danificar as células atingidas.

Então o que é mais saudável para beber, leite humano ou de vaca?
Definitivamente leite humano, mas não acho que haja mercado para tal.

É possível lactar sem estar grávida?
Houve muitos casos de mulheres que adoptaram bebés e os amamentaram, ou avós que amamentaram o bebé após o falecimento da mãe. Na maior parte dos casos, elas não conseguiram produzir a mesma quantidade de leite que as mulheres que estavam grávidas. Mas se se estimular o seio com um bebé a mamar nele, eventualmente começará a produzir leite. Até os homens podem produzir leite após um vigoroso estímulo das mamas, mas o deles não é tão nutritivo.

Então se sobrevivêssemos a um acidente de avião e ficássemos presos numa ilha deserta, ou nos Andes, poderíamos sobreviver com o nosso próprio leite?
Ahah, talvez por algum tempo.

TEXTO E FOTOGRAFIA POR MILÈNE LARSSON


SETE SEMANAS NA ETIÓPIA

29/09/2010


No Verão passado, eu e um amigo fomos até ao Corno de África e vagueámos pela Etiópia durante 7 semanas. O nosso objectivo era subir às terras altas no norte do país e ver obras religiosas incríveis e igrejas rupestres. Acordávamos quase todos os dias às 4 da manhã e apanhávamos transportes públicos pouco seguros. Durante as viagens, a paisagem variou de selva, a vale e deserto. Finalmente, parámos nos deslumbrantes pináculos das montanhas do Parque Nacional do Simien.

Apesar da grandeza do cenário, o que ficou na minha memória foram as pessoas. As mães que serviam as cerimónias do café, os velhos padres, as raparigas Konso a beber cerveja de milho depois das colheitas matinais, e toda a gente que tentou ensinar-me a dança tradicional etíope.

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TEXTO E FOTOGRAFIA POR ANNA BRUCE


ESCONDE ESCONDE

28/09/2010


FOTOGRAFIA POR JONNIE CRAIG
STYLING POR MILENE LARSSON
ASSISTENTE AO STYLING: LINN STIGSSON STERN
MODELOS: STINA E e SIMON O da STOCKHOLMSGRUPPEN; ALEXANDER OLLAS, ALMA HELGESSON e BEATA HOLMGREN da KID OF TOMORROW; JAKOB ELMGREEN

has_1-2à esquerda: t-shirt Levi’s; à direita: casaco Bjorn Borg.

has_3-4à esquerda: calças Whyred, sapatilhas Nike, casaco Minimarket; à direita : t-shirt Levi’s.

has_5-6à esquerda: camisola Wood Wood, calças Bjorn Borg, sapatos Hope; à direita: casaco Wrangler, t-shirt Blod och Svard de Ragnar Persson, calças Cheap Monday, sapatilhas Vans, casaco Bjorn Borg, t-shirt vintage Katutzi.

has_7-8à esquerda: camisa Wrangler, calças Diesel, sapatilhas Vans. à direita: camisa Flippa K, calças Diesel jeans; casaco H&M, calças Levi’s, sapatilhas Converse.

VICESTYLE


O GENERAL DE MILÃO

28/09/2010

O CAMALEÃO ITALIANO QUE USA UNIFORMES HISTÓRICOS

136Unidade alemã de voluntários estrangeiros

Como sabem, ou talvez não, a cidade de Milão é percorrida por bichinhos de metal cor-de-laranja (ou verdes) que transportam as pessoas por toda a cidade. São relíquias que existem desde dos anos 20 e têm um aspecto bastante charmoso. O seu interior é revestido de madeira, com uns pequenos candeeiros de aspecto pitoresco pendurados no tecto. São os famosos eléctricos de Milão. O 29 é o mais adorado da cidade, isto porque: a) cruza a cidade através de um percurso que anda à volta do centro; b) está sempre cheio de jovens bastante atraentes, pois pára em algumas agências de modelos, e c) é o meio de transporte favorito do Il Generale.

Il Generale é um homem de 50 anos que um passageiro cheio de sorte poderá encontrar um dia vestido à escriba egípcio e no dia a seguir vestido como um soldado da infantaria do exército imperial alemão. Muitas das vezes até anda enrolado num daqueles uniformes à samurai que faz com que pareça um molusco zangado. E por que é que ele se veste assim, podem vocês pensar, com toda a razão. E nós podemos muito bem perguntar: “porque é que vocês se vestem de forma aborrecida? Acham que não usam um uniforme todos os dias?”

Encontrámo-nos com o Michele, também conhecido como Il Generale, ou Miguel, ou Michael, enquanto passeava os seus cães, Leo e Anibel, e pedimos-lhe para nos mostrar algumas das suas fatiotas actuais. Aparentemente, muda de equipamento todas as semanas. Conhecemo-lo numa semana “militar”.

Vice: Olá, Michele. Conta-me o que fazes.
Michele:
Tomo conta de cães e sou um ragazzo-immagine.

Talvez devamos dizer, para bem de todos os nossos leitores não italianos, que um ragazzo-immagine, é normalmente um miúdo bem-parecido que é contratado por organizadores de eventos e relações públicas para ir a festas e comportar-se de uma maneira cool.
Sim, pagam-me para ir a festas. Ganho 30 euros por noite e tenho que ir vestido à militar ou levar um traje étnico.

Quando é que começou esta tua paixão por fatos?
Começou quando tive de cumprir o serviço militar obrigatório, nas Forças Armadas italianas. Estive sempre na Marinha e tive muitas discussões com os meus superiores porque não conseguia seguir as regras que me impunham.

Como assim?
Bem, primeiro porque não se podia personalizar os uniformes, e sempre que tinha autorização para sair, insistia em vestir as minhas roupas à civil e eles zangavam-se comigo. Diziam que me vestia à hippie, porque queria usar uns uniformes camuflados castanhos e eles pretendiam que eu vestisse o uniforme original da Marinha.
Para além disso, quando era miúdo tinha uma fixação por cowboys, na adolescência era obcecado por artes marciais – até costumava usar camisas como as do Bruce Lee e alpargatas e ir para a rua brincar à luta com os meus primos, tipo: “AH!”, “OOH!”, “OH!”. Também tive um período glam, pintei o meu cabelo de vermelho e usava umas plataformas de 30 cm. Gostava do David Bowie.

Gostavas mais do estilo ou da música dele?
A música era engraçada, mas sempre estive mais interessado nas roupas dele.

Foste adolescente durante os anos 70, um período da história italiana em que as pessoas eram julgadas social e politicamente pelas roupas que vestiam.
Sim. Foi um tempo revolucionário e queria deixar a minha marca, apesar de nunca ter tido interesse em política. Só gostava das roupas – os casacos à esquimó dos comunistas e as camisas de golas dos fascistas. Os meus amigos não sabiam ao certo o que dizer de mim, um dia vestia-me como os fascistas, no dia a seguir como os comunistas. No final de contas, também eram uniformes. Mais casuais, mas não deixavam de ser uniformes.

Como é que decides qual o uniforme que vais vestir de manhã?
Tenho períodos, ou seja, semanas temáticas. Turco, ou general das SS, ou antigo Egipto, ou fariseu da antiga Jerusalém, ou soldado da brigada francesa. Às vezes baseio as minhas escolhas nas datas, por exemplo, no dia 25 de Abril visto-me sempre à soviético.

Para o dia do Elba, presumo. Já alguma vez gozaram contigo por causa da forma excêntrica como te vestes?
Cheguei a andar com uma rapariga que me disse que se fosse para ter uma relação mais séria com ela, tinha que mudar o meu estilo. Senti-me reprimido e não mudei. Muitas vezes as pessoas gozam comigo na rua, mas também me elogiam muitas vezes. Chamam-me camaleão.

223Forças Especiais anti-terroristas alemãs

Quantos uniformes completos tens na tua colecção?
Centenas. Às vezes só preciso de mudar alguns detalhes para ter uma aparência completamente nova. Compro coisas em mercados e lojas de associações de caridade, e depois modifico-as. Gosto de seguir as novas tendências, mas sempre com um cunho meu.

Como é que te manténs informado?
Principalmente através de documentários televisivos e documentos históricos.

Também reparei que, quando mudas de uniforme, falas uma língua diferente. Ontem estavas a usar um uniforme do exército alemão, e quando nos despedimos disseste “auf Wiedersehen”.
Claro. Tento sempre interpretar o meu aspecto, já que o meu maior sonho é ser actor. Uma vez tentei inscrever-me como figurante numa ópera mas havia uma fila tão grande que decidi vir embora. Aquelas pessoas eram todas repugnantes, não queriam saber das roupas, só estavam preocupadas em arranjar dinheiro de maneira fácil.

Qual é para ti o grupo histórico com mais estilo?
Adoro os cavaleiros do Renascimento italiano, como Ettore Fieramosca e Bartolomeo Colleni, mas a armadura é muito pesada.

E também ias precisar de um cavalo.
Também gosto dos hussardos, com aquele ouro todo. E dos ninjas, mesmo sendo assassinos.

Há alguma personagem que não consigas interpretar?
Tenho problemas com os japoneses, porque sou alto e eles são todos baixinhos. Não sou um samurai muito credível.

Porque é que agora andas com uma crista?
Ultimamente tenho andado interessado nos veteranos do Vietname, como os do filme Taxi Driver. É um penteado estratégico.

Conta-me a cena mais engraçada que te aconteceu recentemente.
Estava no parque e um tipo tinha perdido o cão, então fui ter com ele para tentar ajudar e ele começou a gritar: “sai daqui, seu paneleiro! Não preciso da tua ajuda!” Eu estava vestido ao estilo medieval, e tinha uns collants.

Essa história não é nada engraçada. Que cretino.
Sim. Uma vez em que estava noutro parque e um grupo de brasileiros andava à pancada. Eu estava vestido como na série policial americana CHiPs, e um deles veio ter comigo a gritar: “ajude, polícia!” Isto acontece muitas vezes. Quando ando com os meus uniformes de polícia nos parques, os traficantes fogem quando me vêem.

E alguma vez vestes roupa normal?
Só quando estou em casa é que visto fatos de treino. Mas nunca sairia de casa assim!

38Polícia Suíça

spanish-civil-guardGuarda Civil Espanhola

american-highway-patrolPatrulha das auto-estradas americanas

chicago-policePolícia de Chicago

italian-decimaDecima Flottiglia MAS italiana (comandos da unidade de mergulhadores da Marinha Real Italiana criada durante o regime fascista)

russian-liberation-armyExército russo de libertação

commonwealth-air-forceForça Aérea da Commonwealth (Michele diz que é uma mistura dos uniformes da força aérea australiana e inglesa, e que este fato é “bastante casual”)

aviationAviação (outro “fato casual”)

ENTREVISTA POR SERENA PEZZATO
FOTOGRAFIA POR LELE SAVERI
(Vice Itália)


CONHEÇAM O ANTI-PAPA

27/09/2010


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Nem toda a gente sabe disto, mas Bento XVI não é o verdadeiro Papa. Os tapetes vermelhos, os actos gratuitos do príncipe Philip, a cantoria da Susan Boyle – tudo isto são gestos vazios e superficiais, que infelizmente tiveram sucesso em enraizar o poder do herege e impostor Joseph Ratzinger, ao lado da sua companheira de fraude, a Sra. Elizabeth Windsor-Saxe-Coburg-Gotha. Na realidade, o Papa verdadeiro mora numa vila com 130 pessoas, no interior do Kansas. Ele é o Papa Michael I e não está muito feliz com o facto de Bento ter todas as mordomias, enquanto que ele próprio não consegue que as pessoas o chamem pelo seu nome papal.

“Muitas pessoas na cidade chamam-me de Papa Michael, mas há ainda alguns que me chamam de David. Sim, é verdade. Preferiria que me chamassem de Papa Michael, mas muitas pessoas acham isso estranho”, admite o Papa, pouco depois de lhe ter telefonado para conversarmos.

Não podem haver muitas dúvidas face à veracidade dos factos: o e-mail dele tem como prefixo “thetruepope”; controla o pequeno site Vaticanexile.com; e assina como “+ Michael pp.” Eleito em 1990, o Papa de 50 anos tem um pequeno, porém global, grupo de fiéis há 20 anos. Ser Papa é o seu trabalho a tempo inteiro. “Tive muita sorte em ter tido pais com posses financeiras suficientes para poder continuar com os meus deveres papais, sem a necessidade de ter um outro trabalho a tempo inteiro. Criámos uma editora para imprimir livros católicos que já não existem em stock, mas isso ajuda apenas nos custos com a nossa rede de fiéis.”

Tendo sido criado numa família católica muito devota, David Bawden sente desde criança vocação para o sacerdócio. Quando chegou à maioridade, seguiu essa vocação. Mas depois de uma temporada em seminários estrangeiros sob a ordem de Piu X, desiludido com os ensinamentos confusos e hereges da igreja moderna, ainda não formado como padre, voltou para casa e escreveu um livro com uma mulher chamada Teresa Stanfill-Benns – procurando responder à questão: “A Igreja Católica Sobreviverá ao Século XX?” Conclusão? Em virtude das suas heresias, a linhagem romana já não continua no poder papal. Já não há Papa! Conclusão: vamos eleger um Papa! Conclusão da conclusão? Vamos fazer um conclave papal.

Foi assim que um pequeno grupo de adeptos se juntou para procurar o homem que iria defender e reparar a verdadeira tradição católica que tinham visto degenerar-se durante gerações. Estavam lixados com coisas – como as reformas de 1963 de Paulo VI – que basicamente abriram a igreja ao clima liberal do, digamos, século XVIII. Isto deveria ser revertido, assim como tudo o que não fosse profundamente conservador.

No passado, Bawden/Michael protestou contra o Papa João Paulo II enquanto rezava uma missa para uma tribo semi-nua da Papua-Nova Guiné. Essas pessoas eram, e são, teólogos que acreditam que (a sério!) tudo começou a dar para o torto quando passaram a rezar a missa em inglês em vez de latim. Não são apenas as tradições baptistas e maometanas que são baseadas no fundamentalismo, percebem?

E as eleições correram bem. Os sete eleitores necessários para eleger um papa juntaram-se numa pequena sala a 16 de Julho de 1990. A tradicional mensagem que ecoa há mais de 2000 anos saiu de Belvue, Kansas: “habemus papam” ou “nós temos um Papa!” Pensem nisto – ele tem menos de 30 anos – num dia nem sequer se consegue formar como padre, e no dia a seguir, acaba por se tornar Papa! É como ser apanha bolas em Wimbledon e depois ser promovido a Roger Federer.

Ele ganhou, apesar de ter deixado claro que, quando lhe perguntei se tinha algum rival papal, “não é bem uma ‘eleição’”, disse, “não te podes ‘candidatar’ a Papa.” Ao telefone, o Papa Michael parece ser dócil e às vezes quase tímido. Tem uma voz comprimida e aguda, e uma forma contida nas respostas. Ele é, obviamente, celibatário. É sempre uma pergunta meio estranha, mas tinha que a fazer. Também repudia os métodos contraceptivos, assim como todos os outros Papas desde a eleição, em 1958, do herege Angelo Roncalli, cujas heresias aparentemente incluem “ser brando com os comunistas.” “O melhor de todos da linha do Vaticano, para mim, é João Paulo I. Simplesmente porque ficou no poder por menos tempo. É difícil escolher entre eles porque são todos hereges.”

Vice: Então você diria que é infalível, como todos os Papas devem ser?
O Papa: Ah, mas é claro. Está nos ensinamentos. Os editais do Papa são sempre verdade. Não pode haver um tipo de igreja na era de Cristo, outra mil anos depois e outra nos dias de hoje. Existe apenas uma interpretação verdadeira da escritura.

Percebo. Não é do género, ter que ganhar sempre à “sueca” ou algo assim?
Ah, não! Nada desse género. É só sobre as escrituras.

O Vaticano sabe que você existe? Já se correspondeu com eles?
Mandei uma nota de excomunhão do Papa João Paulo II ao Vaticano, em 1982. Obviamente, não me responderam. Noutra altura, quando fui eleito em 1990, um jornal publicou uma história sobre a minha eleição e ligaram para o Vaticano a pedir comentários a respeito disso. Obviamente, foi uma situação de “sem comentários”.

[Aqui a entrevista desvia-se do típico formato de pergunta e resposta. O resto do artigo contem citações da conversa seleccionadas pelo autor, assim como interjeições e comentários. – Editor]

Se estivesse no comando de Roma, ele garante que os pseudo-padres já teriam tido o que merecem. Mencionou um Pontífice do Século XVI que tinha decretado pena de morte à pedofilia, e uma lei de 1917 sobre a excomunhão instantânea de padres pervertidos.

“Eu faço missas, rituais da cruz… e é claro que muitas pessoas estão interessadas na Igreja pelo mundo fora – e manter a correspondência gasta muito do meu tempo.”

Apesar de ser Papa há 20 anos, tem apenas 50 de idade, e muitos outros de papado pela frente. Embora a sua organização tenha planos para organizar um conclave papal, caso ele morra subitamente.

“Definitivamente. Ocorreria com um conclave normal. Quem irá suceder-me? Bom, não sei, e, para ser honesto, é proibido discutir sobre o sucessor do Papa antes da sua morte.”

“Isto soa-me muito às nomeações tipo Big Brother”, sugeri. Perguntei qual era a melhor parte em ser Papa.

“A melhor coisa em ser Papa? Provavelmente que nunca me poderei afastar da Igreja. Os ensinamentos dizem que o Papa nunca pode ser exilado de Deus.”

E quem realmente gostaria de ser exilado de Deus?

I like the Pope. The Pope stokes hope.
(Eu gosto do Papa. O Papa gera esperança.)

GAVIN HAYNES (Vice UK)


COM MUITO AMOR

27/09/2010


poland
“FROM POLAND WITH LOVE” é a nossa nova série sobre coisas fascinantes que encontrámos no nosso país favorito da Europa Central. Mostramos as aventuras de Ivar e Julita pela Polónia fora à procura das melhores bandas, artistas, realizadores, lugares, festivais, pessoas e empórios de bebida ilegal que o país tem para oferecer. Pelo caminho, Ivar e Julita descobrem como é que os polacos ajudaram à queda da USSR, o que é realmente ser um punk polaco e onde encontrar a verdadeira vodka.

VER NA VBS


ELA É (SÓ) UM BOCADINHO TRISTE

24/09/2010


FOTOGRAFIA E STYLING POR FILIPA ALVES
MODELO: CATARINA COSTA
LOCAL: 555

130t-shirt American Apparel

021caviada do Avô, calças baggy Wohh!

031vestido vintage

041jumpsuit Wohh!, armação Wohh!

051t-shirt American Apparel

061sutiã United Colors of Benetton, calções Wohh!, ténis Summer

071negligé Wohh!, flor do quintal

081top e saia vintage

091t-shirt costumizada Wohh!, saia vintage, ténis Summer

106t-shirt American Apparel

1113cuecas United Colors of Benetton

1211top vintage


A MAIOR COLECÇÃO DE PILAS EM CONSERVA DO MUNDO

24/09/2010


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Quando perguntei à Vice se pagariam o aluguer de um carro para eu guiar nove horas até ao norte de Reykjavik, para conhecer um gajo que mora numa aldeia de pescadores na pontinha do Círculo Árctico e que tem a maior colecção de pénis conservados do mundo, não gostaram muito da ideia. Aparentemente, não são uma empresa de aluguer de carros que providencia viagens para ver pirilaus. Mas eu sabia o verdadeiro valor de uma casa cheia de pilas em conserva para um curioso e viajado leitor da Vice, por isso decidi ir à boleia. Valeu a pena, nem que seja pelo facto de agora saber o que é que acontece quando uma baleia fica de pau feito.

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Só há uma estrada que liga Reykjavik, capital da Islândia, a Husavik, na costa norte do país. Demora um dia e meio a lá chegar à boleia. Apanhámos boleia de um baterista de metal que fazia uma última viagem para ver a família antes de uma tour pela Europa Oriental e Escandinávia; depois, de um pescador do desolado leste do país, que falava um inglês perfeito (que usou para opinar sobre o que o ingresso na União Europeia faria à política pesqueira na Islândia); depois, de uma artista caótica numa camioneta cheia de pinturas, com os seus dois filhos como companhia; e por último, de um gajo que nos fez pedir desculpas várias vezes pelo governo britânico ter usado legislação anti-terrorista contra a Islândia. Literalmente, todas as pessoas do país são interessantes.

Mas poucos são mais interessantes que Sigurdur Hjartarson, conhecido como Homem-Pénis. Reuniu a sua colecção de pilas, varas, vergalhos e tocos, em Husavik, em 2004, depois de se ter reformado do cargo de professor em Reykjavik, onde deu aulas de História a uma amiga minha. Ela, diplomaticamente, lembra-se dele como “um homem muito gentil”. Ele, no entanto, lembra-se dela como “bonita, talentosa e sensual” – que é exactamente como a maioria dos pais gostaria que os professores se referissem às filhas, particularmente aqueles que coleccionam genitais decepados. Este professor tem uma colecção com 273 exemplares de 92 espécies, que representam a quase totalidade de mamíferos existentes na Islândia. E possui algumas amostras importadas (algumas vezes, de forma ilegal). Actualmente, Sigurdur está a tentar conseguir uma pila humana. A casa também está cheia de parafernália genital e até tem uma secção de membros “preservados” de seres mitológicos, como o da salamandra.

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Estão a ver aqueles museus de História Natural que têm uns esqueletos de diplodocus para nos dar as boas-vindas? Estas pedras e aquele tronco de árvore fazem o mesmo.

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A primeira coisa que vi, quando entrei no lar secreto do Homem-Pénis, foi esta pila-fantasma medonha e translúcida. Imaginei que pertencesse a alguma criatura do mar ou algo do género – talvez uma medusa ou um polvo muito bizarro. Por enquanto, deixo-vos a perguntarem-se “que diabo é isto” – só no fim vos direi o que é.

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Desejo frequentemente que o meu pénis tenha pequenos braços de pila à sua volta para que ele próprio consiga fechar a braguilha. (Só para vos dizer que isto, na verdade, é um bengaleiro).

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Caso estejam na dúvida: viajámos metade do planeta porque achámos engraçado visitar um homem que colecciona pirilaus, e quando finalmente chegámos ao sítio só foi engraçado durante um segundo, depois, sinceramente, aquilo é um monte de frascos com pilas lá dentro que nem se parecem com pirocas.

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Estas são piças de baleia. Sigurdur tem cerca de 20 exemplares com tamanhos diferentes na sua colecção, roubadas a várias espécies de baleia. Algumas delas, arrancou-as ele mesmo. O maior pénis de baleia tinha 170 cm e 70 kg — um pouco mais alto do que o italiano que estava a olhar para o falo ao mesmo tempo que eu, dizendo: “troppo grande, troppo grande!”

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Na verdade, as partes das pilas de baleia que ele expõe, representam, apenas parcialmente, o tamanho real — estas são simplesmente as cabecinhas que dão uma espreitadela à luz do dia. O resto, que não está neste frasco enorme, pesaria uns 450 kg. A maior parte do pénis de baleia fica dentro do corpo e está envolto num tubo interno que contrai ou expande, para controlar a passagem dos fluidos. Sigurdur contou-me que, ao contrário dos seres humanos, as baleias estão sempre de pau feito e que durante o sexo apenas a consistência interna do pénis muda, o que faz com que o animal “vaze”. Pergunto-me se Sigurdur deseja, secretamente, ser uma baleia. Aqui vai um monte de fotos de caralhos. À medida que as vêem, reparem como vão ficando cada vez menos engraçadas:

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Este é um pénis de porco em formato de saca-rolhas. Deu-vos tusa?

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Este é o mais pequenino da colecção. Tão pequeno que mal se consegue ver. Se curtem estas cenas, podem enviar a fotografia por e-mail aos vossos amigos e dizer algo do género: “olh’ó teu pau!”

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Isto é uma bengala para gajos mais velhos que estão prontos para “ir ao pito” depois de anos de repressão, e ficarem a mancar por aí, como se fossem o Marquês de Sade.

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Já alguma vez se perguntaram como é que são os pirilaus da equipa olímpica islandesa de curling?

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Isto é uma foto de um supermercado islandês que tem forma de pila.

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Como prometido, aqui está a tal piroca de salamandra. Está coberta de algas marinhas. Aquela coisa ao lado, meio macabra, é uma pila de um fantasma.

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Foi só depois de darmos uma olhadelha na colecção, que vimos o Sigurdur a fazer uma ligação muito importante, provavelmente para os gajos daquele site Freaks of Cock. Conversámos um pouco.

Vice: Como surgiu a ideia de começar a fazer uma colecção de pénis?
Sigurdur: Quando era criança mandavam-me, durante as férias de Verão, para o interior do país e lá davam-me uma vara — pénis de boi — para ser usada como chicote. Foi isso que me deu a ideia para coleccionar grilas. Demorei 36 anos a juntar a colecção que tenho hoje.

Tens um exemplar de cada tipo de mamífero da Islândia, salvo o de um ser humano, como é que vais resolver isso?
Estou à espera que um fascista de 95 anos morra, em Akureyri. Ele prometeu que me daria o pénis. Tenho alguns amigos que também já assinaram um contrato para me darem as partes íntimas quando morrerem.

Quando completares a colecção, o que é que vais fazer? Vais coleccionar vaginas?
Não, eu nunca poderia coleccionar vaginas. Seria difícil de as extrair e preservar, e, mais importante, eu prefiro-as vivas. A minha missão nunca vai acabar. Assim que tiver todas as espécies vou começar a procurar exemplares melhores. Por exemplo, o pénis do urso polar não está em muito bom estado, porque o Museu de História Natural da Islândia tirou-lhe o osso e eu fiquei só com a carne. Quero um pénis de urso polar melhor. Além disso, as mudanças climáticas estão a alterar o nosso meio ambiente tão rapidamente que, apesar de eu já ter todos os mamíferos, aparecerão consequentemente novas espécies e, nessa altura, terei novos exemplares para coleccionar.

Não sei se isso é verdade. Qual é o teu favorito?
Tenho um muito especial em exposição, de um alce sueco, porque foi transportado ilegalmente. Na colecção de mamíferos estrangeiros só tenho ossos, porque é ilegal importar carne crua para a Islândia. Por isso, nunca consigo bons exemplares. No entanto, um dos meus ex-alunos conseguiu transportar um pénis inteiro de alce da Suécia na sua bagagem de mão e estou muito grato por isso.

Ah! É verdade, aquela pila-fantasma do início resultou de um problema numa fábrica de sacos de plástico, que derreteu os materiais num formato muito familiar. Como é que não adivinharam?

ENTREVISTA POR ALEX HOBAN (VICE UK)


VBS NO RAINDANCE FILM FESTIVAL

23/09/2010


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Estão a ver, não são só vocês. A CNN, o The Guardian, o The Independent e o The Times também gostam da VBS. A edição deste ano do Raindance Film Festival vai exibir dois filmes produzidos pela VBS no ano passado: Swansea Love Story, a história de um grupo de jovens drogados que vive numa das mais problemáticas cidades do País de Gales; e o premiado Vice Guide to Liberia, um retrato duro de um país devastado pela guerra civil durante 14 anos.

VBS