VICELAND HOJE - 03/2010



“SCARFACE” NA ESCOLA

31/03/2010



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Talvez agora a obsessão com o Scarface tenha ido longe demais. Após 30 anos de loucura publicitária, Scarface entrou finalmente no nicho mais lucrativo de todos os mercados, as peças de teatro de escola primária.


Claro que já existe um monte de coisas engraçadas baseadas no Scarface:


O PURIFICADOR DE AR
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A PLACA DE BAR
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A ALMOFADA
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O POSTER DE LUZ NEGRA
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Mas nada disto é tão espectacular como…

SCARFACE: A PEÇA DE TEATRO ESCOLAR!



O melhor momento é o do assassino no fim.


“VANITY”, DE MARIA ELISA DUQUE

30/03/2010



A trabalhar em Bogotá, Colômbia, a fotógrafa Maria Elisa Duque criou uma série de fotografias visualmente fascinantes simplesmente chamada “Vanity”. As imagens, onde aparece a cara duma mulher em vários níveis de obstrução e distorção, procuram analisar a natureza das aparências e como estas são influenciadas, ao mesmo tempo, por nós e pela sociedade. Cuidadosamente executadas e editadas, a série de fotografias de Maria Elisa é um projecto que promete intrigar e incendiar o espectador.


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MOTHERBOARD


VÍCIOS SEM RECEITA NA RÚSSIA

30/03/2010



russa
Kodelak: o sonho do drogado russo tornado realidade


Sempre foi mais fácil comprar drogas em São Petersburgo do que em Moscovo. Na verdade a maioria das cenas “energéticas” (ecstasy e metanfetamina) era produzida em “Peter” e distribuída em Moscovo pelo dobro do preço. São Petersburgo resistiu à heroína barata quando apareceu pela primeira vez, dez anos atrás, mas acabou por se render depois da maioria dos “manos” e “minas” pró-Ocidente ter visto Trainspotting e Pulp Fiction. Juro que esses filmes mataram mais russos da minha geração do que a merda do Afeganistão. Houve uma altura em que parecia que os drogados de Moscovo e universitários de São Petersburgo estavam a competir para ver quem morria mais.

Depois que a primeira leva de drogados morreu, toda a gente mudou para Phentanyl, um opiáceo sintético que é 100 vezes mais forte do que heroína. Num dia o Phentanyl foi responsável por mais de 130 mortes. O FSB (que é tipo o FBI só que muuuuito mais sinistro) bombardeou os reféns de “Nord-Ost” com gás de Phentanyl, em outubro de 2002 , para prevenir que algum mujahadeen tchecheno explodisse o prédio com os 900 e tal reféns lá dentro. As mulheres e crianças sofreram overdoses com tal acto. Dava para perceber perfeitamente na televisão, aquelas caras todas azuis, com as cabeças tombadas para trás e bocas abertas. De repente, o Phentanyl virou o demónio aos olhos do público e teve que ser erradicado. Ironicamente a tarefa ficou por conta do FSB, os mesmos que o demonizaram.

Em questão de semanas não se encontrava mais Phentanyl, e todos os traficantes estavam ou na cadeia ou mortos. E agora? Tínhamos uma nação de drogados e um governo corrupto com montes de opiáceos que ninguém quer ver pela frente. Bom, o que achas que aconteceu?

Alex, um viciado de 34 anos que morava em São Petersburgo e Moscovo conta que “no instante em que o Phentanyl e a heroína desapareceram, pílulas de codeína para a tosse surgiram como por magia em farmácias de todo o país. Dava para ver as embalagens azuis vazias em todo o lado. Eles até anunciaram essas pílulas na televisão. Obviamente o governo estava a tramar alguma coisa”. Realmente, em 2003 praticamente todos os opiáceos ilegais em Moscovo tinham sido substituídos por essas populares pílulas de codeína que não precisam de receita médica.

“Se tomares 20 pílulas de Kodelak, que são 160 mg de fosfato de codeína, ficas super-mocado”, diz Alex. “Eu tomo 60 pílulas por dia. Eu gastava mais ou menos 200 dólares por dia quando era viciado em heroína. Agora gasto 300 por mês, graças ao Kodelak. E não tenho que roubar, assaltar, nada isso!”

A mão invisível do capitalismo disse: “Legalizem”.


VLAD OSOVSKY


MIXTAPE DE COLD WAVE

29/03/2010



Os nossos compinchas Cocadisco gravaram-nos uma mixtape cheia de maravilhas da cold wave. O ambiente perfeito para um esqueleto abanar-se todo por cima de uma plateia.


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OUVIR A MIXTAPE


SHAIENE: SHOT BY KERN

28/03/2010



kern


VBS


VÍDEO: MESMO COM A VOZ DE WERNER HERZOG, UM SACO DE PLÁSTICO ACABARÁ SEMPRE POR IR PARAR AO OCEANO

28/03/2010



Plásticos. No filme “A primeira noite de um homem”, é o grande segredo que Benjamim (Dustin Hoffman) recebe dum bem intencionado amigo da família. Nos dias que correm, é também um dos nossos mais sujos e assustadores segredos.


saco



Motherboard


OS PAPÁS TAMBÉM QUEREM SER AMADOS

26/03/2010



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Criado num lar sem pai, nunca imaginei que um dia poderia sentir empatia por um pai ausente, mas aqui estou eu, hoje como pai, a entender claramente porque é que os homens abandonam as suas famílias. E não tem nada a ver com o peso da responsabilidade de nos tornarmo-nos um pai.

Não, a raiz do problema com pais que abandonam os seus filhos é muito mais óbvia que problemas financeiros ou imaturidade. Talvez seja pelo próprio facto do motivo ser tão óbvio que cientistas e assistentes sociais, do mundo inteiro, não o tenham detectado até hoje. Ou talvez seja necessário um olhar perspicaz como o meu, um verdadeiro humanitário que compreende o mecanismo íntimo masculino, para perceber algo evidente: os papás não são amados.

Ontem, pela primeira vez sentimos o cheirinho a primavera depois de um mês de baixas temperaturas e muita neve. A minha mulher foi para o ginásio e eu levei o bebé e o cão a passear pelo bairro. Enquanto caminhávamos pelo nosso perplexo subúrbio deparava-me com olhares estranhos em cada esquina. Eu acenava ou sorria, mas em três momentos perguntaram-me: “onde está a mamã?” À terceira vez simplesmente respondi: “está morta”. A cara confusa da mulher transformou-se numa cara cheia de pena.


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Continuei o passeio a pensar: “é assim tão estranho um homem a empurrar um carrinho sem uma mulher ao lado?” (Aviso: isto não é uma tentativa de me redimir, dizendo que sou o Super Pai, isto é uma forma de julgar a sociedade).
Perto de casa virei à direita na nossa rua, mas o Benny, o meu cão, viu um esquilo do outro lado da rua e avançou na sua direcção. Ele estava preso ao carrinho e quase que o virou (eu, claro, como sou o Super Pai evitei que isso acontecesse). Depois de segurar o Benny e explicar-lhe que não deveria ter feito aquilo, que deveria ser mais sensato e que já não era mais um filhote, olhei para o gancho do carrinho onde a trela do Benny estava presa e apercebi-me, pela primeira vez, das palavras: GANCHO DA MAMÃ. Porquê GANCHO DA MAMÃ? É só um gancho, não tem nada de maternal.


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Foi quando eu comecei a perceber: a sociedade considera os pais desnecessários. Deixei o bebé no carrinho no meio da rua e disse ao Benny para tomar conta dele, corri que nem um louco os três quarteirões que faltavam até minha casa e comecei a destruir o saquinho do bebé, chupetas com dizeres I LOVE MOMMY, lencinhos que manifestam amor pelas mães, uma merda dum body com bolas de futebol americano com a frase MOMMY LOVES ME (QUE RAIO DE MAMÃ PERCEBE DE FUTEBOL AMERICANO?). Procurei meia hora e não encontrei uma única peça de roupa ou acessório que expressasse o amor do meu filho por mim como pai. Encontrei vários sobre os avós. Nada sobre mim. A campainha tocou. Era um filho da puta a perguntar se o cão e o bebé no meio da rua eram meus. Disse-lhe para ir tratar da vida dele.


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Mas ao mesmo tempo que ele se ia embora perguntei-lhe: “Você ama o seu pai?” E ele respondeu: “Não muito. Eu amo a minha mamã”. Um gajo de meia idade a usar a palavra MAMÃ como se estivesse a ler a palavra num babete. Ele foi programado contra o pai durante a vida toda por fabricantes de produtos infantis.


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Pus o bebé no carro e fui para a maior loja com secção infantil da cidade na esperança da minha teoria estar errada, a rezar para encontrar um brinquedo ou babete com a frase EU AMO O PAPÁ. Mas não encontrei. Os bebés não amam os seus papás. Amam as suas mamãs.


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E É POR ISSO QUE OS HOMENS ABANDONAM OS SEUS LARES.
A compreensão e a lembrança constante de que os bebés amam as mamãs, não os papás, é de partir o coração. Dói tanto aqui (estou a apontar para o meu coração) que me faz chorar. Faz com que o homem queira partir e deixar a sua família para trás.


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CHRIS NIERATKO


FESTA NA CASA DE BANHO

25/03/2010

Casas de banho… acontecem muitas coisas nas casas de banho para além de sexo, drogas e mijadelas. Temos um encontro na casa de banho das senhoras.


FOTOGRAFIAS POR VITO FUN
vitofun.net
bathrrom22


JURISPRUDÊNCIA FACEBOOK: ALGUNS TRUQUES DO QUE NÃO FAZER PARA EVITAR SER APELIDADO DE CROMO

24/03/2010

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Não há problema em estar-se nas tintas para o Facebook. Não há problema em ter um perfil que deixamos ao abandono durante dois meses e que não serve para mais nada a não ser para publicar os vídeos do Adult Swim e para espiar os perfis de gajas com as quais adoraríamos trocar fluidos. Mas, na realidade, é uma ilusão de merda. Toda a gente faz de conta que está-se nas tintas. E toda a gente o sabe e, consequentemente, faz parte disso. À excepção de algumas tonas, que não compreendem que é obrigatório submeterem-se a algumas regras elementares para não se cruzarem com o tipo de gajos que fazemos de conta que não vemos num domingo à tarde ou que reencontramos na mórbida secção “sugestões”. Como estou farto de dar de caras com perfis de merda (por princípio, aceito todos os meus pedidos de amizade), decidi ajudar esses deficientes sociais da Internet.


NÃO TER UM PERFIL PRIVADO

De que serve estar inscrito numa rede social se é para ficarem no vosso cantinho e delirarem com os vossos amigos? De nada. Os vossos delírios também são nulos, assim como os vossos amigos e os vídeos de gatos deles. Deviam revelar ao mundo a vossa nulidade, não a temer, enfrentar o resto do mundo ao erguerem as vossas actualizações nada bizarras face aos outros utilizadores, como o Homem fez em frente a Deus quando O tentou matar. É o mesmo princípio do truque, é exactamente por este motivo que toda a gente tinha Myspace.


NÃO ALTERAR O ESTADO TODOS OS DIAS

Ou pior, a todas as horas. Não estamos no Twitter. Ninguém gosta do Twitter, isso é para os americanos cabeças-de-alho-chocho que têm os seus diplomas à custa de testes de escolha múltipla. Os franceses não gostam de “twitar” assim como também não gostam de hambúrgueres ou de ser entusiastas do sistema comunitário e do Obama. Em último caso, as raparigas têm o direito de alterar o seu estado frequentemente porque ninguém o lê. Um estado por semana é um bom compromisso se gostam de contar as novidades, e mais, isso prova que existem outras coisas na vida para as quais se estão a borrifar.


NÃO ACEDER AOS SEUS PRÓPRIOS LINKS

Para quê aceder aos próprios links senão para mostrar que colocámos algo super parvo ao qual ninguém vai reagir mas que temos que defender até ao fim? É como o gajo que repetem pela segunda vez uma piada seca para mostrarem que não têm vergonha. O que não é verdade, porque eles têm vergonha. E toda a gente o sabe. E toda a gente vai rir-se nas suas costas assim que se forem embora. A isso chama-se vida depois da adolescência.


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NÃO PUBLICAR TRÊS VÍDEOS SEGUIDOS EM MENOS DE TRÊS DIAS

As pessoas têm o direito de publicar dois vídeos de seguida quando regressam a casa às 5 da manhã, porque estar bêbado provoca-lhes uma imunidade crítica total. Mas um terceiro? Quem pensas que és, Viriato? As pessoas evitam os gajos que publicam vídeos em excesso no mural, por serem quase sempre os mesmos que se interessam por coisas demasiado irritantes e ultra-especializadas, às quais não podes responder “é bem verdade”, durante os 20 minutos antes de deixar a peça, e jurar nunca mais ir ver os amigos dos teus amigos.


NÃO ALTERAR A CATEGORIA INTERESSES

O problema de quando somos jovens é que temos a tendência a apercebermo-nos (e com razão) de que fomos muito idiotas há dois anos atrás. E o problema dos jovens de hoje é aperceberem-se que há rastos dessa parvoíce um pouco por toda a Internet. E também no Facebook. Mas vocês têm de ripostar e criar algo com todas estas pistas de temas para potenciais piadas. Por isso, é importante não acrescentar ou retirar grupos, realizadores ou escritores para mostrar que “evoluíram”, porque a verdade é que vocês estão vermelhos de raiva por se terem apercebido que tudo o que vocês amavam há dois anos atrás era uma merda.

Nota: Se vocês fazem questão de esconder os vossos antigos gostos culturais, era melhor apagar tudo duma vez só e não acrescentar mais nada. É uma forma de dizer “não cometerei o mesmo erro” com um ar mais ou menos digno.


NÃO ACEITAR OS TESTES QUE VOS PROPÕEM

Que idade tinham quando jogaram a essas parvoíces pela última vez, 14 anos? É estúpido ter 14 anos, passas o teu tempo a esconder-te na casa de banho a masturbar o teu novo pénis de adulto e, no resto do tempo, estás a levar raspanetes. Os únicos que adoram verdadeiramente responder aos testes do Facebook são as raparigas, porque se riem por tudo e por nada, e os trintões porque são os adolescentes da idade adulta. Adoram organizar batalhas de iPod, deixar crescer a barba fraca de cabrão e dar beijinhos o máximo de tempo possível. São uns bebés crescidos de merda.


NÃO DIZER QUE ESTAMOS NUMA RELAÇÃO

Se decidiram exibir o conjunto da vossa vida numa página da Internet, porque não meter antes “chato” directamente no campo “sobre mim”? Porque é esse o efeito que provocam em anunciar a todos que partilham a vossa vida com um ser inútil. O Facebook é um imenso reservatório humano regido pela tensão sexual mais intensa do universo, e é por isso que vocês enchem o ambiente com as vossas histórias de amor que se vão caracterizar pelo tédio, e em seguida, pela indiferença. No Facebook, as pessoas estão lá para “pinar”, é como estar numa discoteca na noite da mulher, ou pior.


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NÃO MARCAR OS OUTROS NAS FOTOS

O que pretendem mostrar ao marcar as pessoas nas fotos, que conhecem pessoas? Porque a realidade parece dizer que vocês não conhecem ninguém. A maioria das pessoas que marcam outras pessoas são os bons amigos que nós conhecemos mas com quem nunca estamos, com quem nos cruzamos imensas vezes mas do qual nos esquecemos do nome e que escondem na sua carapaça de blogger uma vida inteira de moderação assim-assim, tipo tou-me-a-cagar. São os deputados da sociabilidade.


NÃO REUNIR MAIS DE 15 “FULANO GOSTA DISTO” NAS ACTUALIZAÇÕES

Se Robespierre ainda fosse vivo, teria o direito de falar sobre os seus actos e de criar burburinho acerca dos pequenos tomates de Marat para reunir mil milhões de «like» e 280 mil comentários. Mas vocês? O único feito que alcançaram durante a vossa vida foi o de saberem o que foi o 11 de Setembro de 2001 e de viverem na mesma era que o Michael Jackson. Ninguém se vai lembrar de vocês daqui a 100 anos por isso não publiquem laços ambiciosos que envolvam outras pessoas para além dos vossos amigos mais próximos, ou ainda as coisas verdadeiramente geniais que fazem para ganhar a vida. Calem o bico e sejam humildes.


NÃO TER FILHOS

Ter um filho remete para o facto de estar “numa relação”, ao mesmo tempo que estás “estável financeiramente” e “velho”. Mas então, o que é que estão aqui a fazer? O Facebook serve para encontrar pessoas jovens, arranjar um emprego e, sobretudo, desenvolver de modo significativo a vossa libido. Esses conceitos não fazem parte das vossas ambições actuais, a vossa presença aqui faz lembrar a presença do avô estúpido no aniversário do benjamim que festejava os seus 12 anos com os melhores amigos. Toda a gente está-se nas tintas para os teus problemas amorosos e para o último álbum dos Soundgarden, acaba o secundário e desaparece.


KELLY SLAUGHTER
TRADUZIDO POR SUSANA SANTOS


PARABÉNS ATRASADOS RUSS MEYER

24/03/2010



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Este domingo foi o aniversário do Russ Meyer (faria 88 anos) e celebrei a ver, mais uma vez, o Supervixens . O filme que a maioria das pessoas associa a Meyer é aquele das stripers, Faster, Pussycat! Kill! Kill!, de 1965, mas mesmo que tenha lá os seus créditos (sou totalmente a favor do remake do Tarantino com a Tera Patrick), Supervixens é melhor.


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Nenhum dos outros filmes do Meyer lhe chega aos calcanhares. Durante as filmagens, prometeu que seria “a soma de todos os meus outros filmes.” E é. Um road movie sobre um bom homem que participa em vários roubos, que se faz acompanhar por sete mulher lindas, fortes e mamalhudas. Meyer normalmente tinha uma mulher principal nos seus filmes, mas daquela vez ele queria encher a tela. “Nós trazíamos uma em cada rolo”, explicou mais tarde, “não há tempo para nos cansarmos do visual ou das acções duma mulher”. Ele está certo, e funcionou. Foi filmado em 1975 por cerca de 90.000 dólares (apesar de ter dito que custou 400.000 dólares numa tentativa de ser levado a sério, facturou quase 18 milhões de dólares nos cinemas, de longe o seu maior sucesso).


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Meyer foi um autor, fazia a sua própria direcção de fotografia e edição (foi operador de câmara do exército durante a Segunda Guerra Mundial), e Supervixens é tipo uma curta cheia de tridentes e bananas de dinamite, como um episódio brutalmente sexual do Papa-Léguas. Continuou nesse estilo, ainda que com menos sucesso, nos seus filmes seguintes, Up! e Beneath The Valley Of The Ultra-Vixens, o que fez as pessoas começarem a usar o termo “bustoons” (bust = busto, toons de cartoons). O crítico norte-americano de cinema Roger Ebert, amigo e eventual colaborador de Meyer, sempre proclamou o realizador como um artista pop, na tradição de Andy Warhol e de Al Capp, criador de Ferdinando.


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A história conta com o heróico durão Clint Ramsey (Charles Pitts, que hoje em dia é tenor) atravessando o deserto à boleia depois de ter sido incriminado por assassinato. A história é nada mais que uma desculpa para que ele conheça uma jeitosa diferente a cada 20 minutos. Conta com a Super Lorna, interpretada por Christy Hartburg (a rapariga incrível do poster) Super Angel, a namorada ciumenta e sangue-frio de Clint, uma surda-muda que o leva num passeio muito louco de buggy por entre as dunas e a jovem esposa dum velho agricultor, que o viola num celeiro.


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Além do surrealismo, a outra coisa que faz com que Supervixens se destaque é uma cena de brutalidade em particular que tem um ambiente isto-tá-a-acontecer-mesmo. Depois de uma mulher tirar sarro a Charles Napier porque ele não consegue ficar de pau feito, esfaqueia-a, mete-a numa banheira e pisa-a várias vezes antes de atirar o rádio lá para dentro, electrocutando-a e fazendo explodir a casa. É demais! Tipo o Scorsese a realizar um nasty video dos anos 70. Em 2000, a revista Los Angeles pediu que Meyer defendesse a sequência: “ela tinha de aprender que não podia fazer as coisas à maneira dela”, disse ele.


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Supervixens é o Meyer descontrolado. Tem tudo o que poderias querer do
reino da nudez, assim como uma narrativa convincente e actuação eficaz à sua maneira. Jack Horner, o realizador interpretado por Burt Reynolds em Boogie Nights – Jogos de Prazer, sonhou em fazer filmes porno com acção e histórias suficientemente boas para continuares a assistir mesmo depois das cenas de sexo. Os filmes de Meyer não são bem pornográficos mas, estruturalmente, realizam o sonho de Horner. Se as cenas de sexo fossem hardcore, o filme continuaria a ser bom. Mais uma vez, Meyer nunca levou o sexo muito a sério: “eu quero que os meus filmes soem como comédias porque o sexo é engraçado”, disse. E Supervixens é o seu melhor trabalho. Feliz aniversário Sr. Meyer. Espero que estejas rodeado de anjinhas mamudas.





ALEX GODFREY